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Helio Gurovitz
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Não adianta fechar fronteiras – o terror é digital

Estado Islâmico tem usado cidadãos europeus para disseminar o terror; o verdadeiro problema está na dificuldade de investigar e vigiar todos os suspeitos

O Estado de S.Paulo

26 de março de 2017 | 05h00

O atentado em Londres deixou a Europa ainda mais em pânico com os refugiados. Em julho passado, um tunisiano que vivia na França com visto de permanência foi responsável pela carnificina em Nice. Em dezembro, outro tunisiano, que chegara ao continente como refugiado em 2011, ficara preso na Itália e esperava receber asilo da Alemanha, promoveu o massacre de Berlim. Vários terroristas responsáveis pelos atentados de Paris e Bruxelas haviam passado temporadas no território do Estado Islâmico (EI), e pelo menos dois usaram passaportes sírios falsos para voltar à Europa.

Diante de tudo isso, é tentador acreditar que impedir a entrada de refugiados deterá o terror. Infelizmente, de pouco adiantaria. É ínfima a minoria envolvida com o jihadismo, e o EI tem usado cidadãos europeus para disseminar o terror. É o caso do convertido Khalid Masood, nascido Adrian Elms no Kent, que atacou em Londres, e dos integrantes da célula de Bruxelas e Paris. O verdadeiro problema está na dificuldade de investigar e vigiar todos os suspeitos. O EI domina a tecnologia digital e conta com a simpatia de redutos radicais nos países com vasta população muçulmana. Não precisa de nenhum refugiado para disseminar o terror.

O mais poderoso jihadista americano

O americano mais graduado na hierarquia do EI é um convertido do Texas chamado John Georgelas, filho e neto de militares do Pentágono, revela o livro The Way of the Strangers, do jornalista Grame Wood. Georgelas fugiu com a mulher, uma bengalesa com cidadania britânica, e quatro filhos para lutar – e ser ferido – na guerra civil da Síria. Além dele, Wood entrevistou vários outros jihadistas do EI.

O fim da especulação sobre Snowden

O veterano repórter Edward Jay Epstein lançou em janeiro um livro em que insinua, sem provar, que Edward Snowden se tornou espião russo (ou chinês, ou ambos). Como evidência, levanta um pretenso mistério: os onze dias de 2013 que Snowden teria passado incógnito em Hong Kong, visitando russos e chineses, antes de entregar a jornalistas os documentos que expuseram a espionagem digital americana. Pois, se havia mistério, não há mais. No site The Intercept, Glenn Greenwald publicou registros de hotel e recibos demolindo a teoria conspiratória sobre Snowden.

A vingança da Rússia contra ‘The Americans’

A Rússia resolveu se vingar do seriado “The Americans”, da Netflix. Inspirada na história real de uma rede desbaratada em 2011, a série narra como russos infiltrados há décadas nos Estados Unidos levam uma vida dupla, como cidadãos locais e espiões de Moscou. Acaba de terminar na Rússia a primeira temporada de “Adaptation”, resposta em que a CIA, sob ordem de Trump, envia um espião para furtar um segredo de estado russo. Sem entender o país, o americano se enrola todo.

Olá, aqui é o Cid Moreira…

A Federal Communications Comission (FCC), o equivalente americano da nossa Anatel, quer dar um basta no telemarketing. Pretende impor regras que permitiriam às telefônicas bloquear as chamadas de propaganda, hoje estimadas em 2,4 bilhões por mês nos Estados Unidos. 

Quando precisa, Trump se lembra dos profissionais

Donald Trump declarou guerra à imprensa e não perde uma oportunidade de torpedear a “mídia”. Mas, na hora da notícia ruim, não ligou para o Breitbart nem foi ao Twitter. Na sexta-feira, informou que desistira do Trumpcare a Robert Costa, do Washington Post, e Maggie Haberman, do New York Times. O celular de Costa tocou às 3h31 e era Trump: “Alô, Bob. Então, retiramos (a proposta)”. Costa chegou primeiro ao Twitter.

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