'Não apresentei meu lado da história', diz Assange após decisão sobre extradição

Protomoria contratou defensor de Pinochet para apelação no caso do fundador do WikiLeaks

Estadão.com.br

24 de fevereiro de 2011 | 11h36

Defesa de Assange tem sete dias para recorrer da decisão do tribunal. Foto: Stefan Wermuth/Reuters

 

 

LONDRES - Em uma entrevista coletiva dada nesta quinta-feira, 24, após um corte britânica ter aprovado sua extradição para a Suécia, Julian Assange assegurou que as pessoas ainda não conhecem o que realmente aconteceu e que ainda não contou seu lado da história.

 

Segundo Assange, mesmo a luta na apelação de seu caso será difícil. "Os procuradores britânicos contrataram, a largas despesas, o mesmo advogado que defendeu Pinochet".

 

"Nunca pude apresentar a minha versão da história. Nunca pude apresentar a minha versão da história", disse. Segundo o fundador do WikiLeaks, todo o processo "é uma injustiça". "O melhor que pode ser feito para isso é analisar as normas capazes de garantir um julgamento justo", acrescentou.

 

Assange também criticou duramente o funcionamento das extradições europeias. "Durante todo este processo não se obteve solidez nas acusações formuladas contra mim. E sempre soubemos que teríamos que recorrer", disse o australiano, de 39 anos.

 

O juiz Howard Riddle, da Belmarsh Magistrates Court (tribunal do sul de Londres) aprovou nesta quinta a extradição de Assange para a Suécia. O fundador do WikiLeaks é acusado de delitos sexuais que teriam ocorrido em agosto de 2010 no país escandinavo.

 

Em contraste com essas duras críticas, o juiz britânico justificou sua decisão de entregá-lo à Suécia com o argumento de que não existem motivos para pensar que Assange não vá ser submetido a um julgamento justo na Suécia ou para temer que vão levá-lo depois aos EUA para ser processado pelo vazamento de milhares de documentos secretos pelo WikiLeaks.

 

Assange irá recorrer da decisão do juiz Howard Riddle, da Belmarsh Magistrates Court (tribunal do sul de Londres), em uma instância superior, na High Court de Londres. A defesa tem um prazo de sete dias para recorrer.

 

A defesa de Assange afirma que se o ativista for entregue a Suécia, poderá ser enviado aos EUA, e processado por alta traição, em relação à difusão de dezenas de milhares de documentos oficiais americanos e ser, como possível consequência, executado.

Com informações de Efe.

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