AFP PHOTO / Sergio LIMA
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Não arrisquem suas vidas, diz Pence, no Brasil, a imigrantes centro-americanos

Segundo vice-presidente americano, imigrantes da América Central, especialmente Honduras, Guatemala e El Salvador, deveriam 'construir sua vida em seu país natal'

Lu Aiko Otta e Julia Lindner / Brasília , O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2018 | 17h45
Atualizado 26 de junho de 2018 | 19h15

“Não arrisquem suas vidas ou a de seus filhos tentando entrar nos Estados Unidos com traficantes de pessoas. Se alguém disser que podem levar seus filhos, não acreditem. Fiquem com eles. Construam sua vida em seu país natal.” 

Esse foi o recado do vice-presidente dos EUA, Mike Pence, dirigido aos migrantes ilegais da América Central, principalmente de três países: Honduras, Guatemala e El Salvador, em meio à crise devido à separação de famílias na esteira da política de "tolerância zero" do governo Donald Trump.

“Se não têm condições de entrar legalmente nos Estados Unidos, não venham de jeito nenhum.” 

Segundo Pence, recentemente os EUA receberam 150 mil migrantes irregulares hondurenhos, guatemaltecos e salvadorenhos. “Insistimos que respeitem nossa fronteira”, afirmou. “Estamos investindo em segurança na fronteira como nunca antes, e começamos a construir um muro na nossa fronteira sul.”

O Congresso americano, disse ele, está tentando “fechar hiatos que servem de atração a famílias vulneráveis". Muitos desse migrantes têm relações com tráfico de drogas e atividades ilegais, afirmou.

+ Temer disse que pode mandar avião aos EUA para trazer de volta crianças que estão nos abrigos

O republicano afirmou que os EUA investiram US$ 2,6 bilhões em quatro anos para combater o tráfico de drogas. Os programas de apoio econômico propiciaram a criação de 30 mil empregos. O governo Trump também tem apoiado a formação de pessoas na área judicial nesses países.

“Eles precisam dar passos mais decisivos para combater o tráfico de drogas e a corrupção que enfraquece suas economias”, afirmou “Todas as nações do hemisfério precisam ajudar.”

Apesar da repressão à entrada ilegal de pessoas, os Estados Unidos são a nação mais aberta a estrangeiros, disse Pence. No último ano, foram recebidos 1,1 milhão de pessoas.

Brasileiros

O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, por sua vez, afirmou que houve avanços nas questões humanitárias e vai trabalhar para que haja a união das famílias brasileiras que foram separadas na fronteira dos EUA "o mais cedo possível".

O ministro destacou que voltar para o Brasil ou não é uma decisão das famílias, mas aqueles que quiserem ficar nos EUA precisarão ter autorização judicial e alguém para acolhê-los.

"O Brasil poderá, inclusive, buscar as crianças se essa for a decisão da família. Muitas crianças já estão encontrando abrigo na casa de parentes. Essa decisão é da família. Se quiserem, o presidente Michel Temer colocou os meios que temos à disposição", disse, se referindo à declaração de Temer, de mais cedo, que, se for o caso, está disposto a enviar um avião para trazer de volta as crianças que estão em abrigos, separadas dos pais que foram detidos por migração irregular.

Aloysio afirmou que não viu o discurso de Pence como uma forma de intimidação do governo brasileiro, e sim como um pedido para que a legislação dos EUA seja respeitada. "Ele quis dizer "respeitem a lei americana". E é verdade. Quem quiser vir para o Brasil também precisa respeitar a legislação brasileira (...) Mas a legislação deles tem esse efeito que consideramos cruel e estamos trabalhando para que filhos possam se encontrar com pais", destacou.

O tema das crianças separadas dos pais, segundo Aloysio, foi o que mais demorou para ser tratado durante reunião do vice dos EUA com Temer.

 

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