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Não é apenas mais um tijolo no muro

Ninguém no Congresso americano parece dar muita bola para a barreira; um relatório da Brookings Institution constatou que ele não serviria basicamente para nada, além de criar caso com o vizinho

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

27 Agosto 2017 | 03h00

Para cumprir a promessa de erguer o muro na fronteira com o México, o presidente Donald Trump ameaçou paralisar o governo caso o Congresso não aprove a verba necessária – estimada em US$ 12 bilhões na campanha, em US$ 21,6 bilhões pelo Departamento de Segurança Interna e em até US$ 40 bilhões pela MIT Technology Review. Até agora, a Câmara só destinou US$ 1,6 bilhão ao projeto. Se Trump não sancionar o Orçamento, o governo será obrigado a paralisar suas atividades não essenciais, estado conhecido como “shutdown”.

Ninguém no Congresso parece dar muita bola para o muro. Um relatório da Brookings Institution, divulgado este mês, constatou que ele não serviria basicamente para nada, além de criar caso com o vizinho. Já existem barreiras físicas em quase toda a fronteira. Desde os anos 1990, traficantes usam túneis de mais de 20 metros de profundidade – o muro se estenderia no máximo 2 metros sob o solo. 

A droga entra nos Estados Unidos pelos 52 postos fronteiriços. A maioria dos 6,2 milhões de mexicanos ilegais chegou ao país como turista. A criminalidade entre eles é baixa. Em contrapartida, o muro ameaça acordos de uso da água, povos indígenas separados pela fronteira e mais de 100 espécies nativas. Até o combate à praga do bicudo-do-algodoeiro seria prejudicado. O México é o terceiro maior parceiro comercial americano. A polícia mexicana é essencial na batalha contra o tráfico. “A cooperação do México é bem mais importante para a segurança americana que qualquer muro”, diz Vanda Felbab-Brown, autora do relatório.

As várias faces políticas do islamismo

Os dois maiores especialistas da Brookings Institution no mundo islâmico, Shadi Hamid e Will McCants, se uniram para estudar, ao longo de mais de dois anos, a ascensão de grupos islamistas em 12 países de maioria muçulmana – da Síria à Malásia, da Tunísia ao Paquistão, do Kuwait ao Egito. O resultado está no recém-lançado Rethinking political Islam (Repensando o Islã político). Com artigos de especialistas e entrevistas com os próprios islamistas, o livro decifra como a ação deles difere de país para país.

O preconceito contra o “neoliberalismo”

A nova onda de privatizações despertou a ira previsível no Brasil. Os críticos ignoram que políticas liberais reduziram não apenas a pobreza, mas também a desigualdade, mesmo depois da crise de 2008. Entre 2008 e 2013, os pobres no mundo caíram de 1,2 bilhão (17,8% da população) para 767 milhões (10,7%), segundo o Banco Mundial. Em 49 países, de uma amostra de 83, a renda dos 40% mais pobres cresceu mais que a média. De 1820 a 1990, a desigualdade global, medida pelo índice Gini, era crescente. Começou então a cair e, entre 2008 e 2013, diminuiu de 66,8 para 62,5. “É desconcertante como tantos progressistas encaram o termo ‘neoliberalismo’ com desdém”, escreveu o economista Scott Sumner.

O ódio a Malala no Paquistão

Nobel da Paz, nova estrela do Twitter e recém-admitida à Universidade Oxford, no Reino Unido, a paquistanesa Malala Yousafzai é um símbolo global na defesa da educação feminina. Em sua terra natal, porém, muitos a veem com desdém. Suspeitam de suas ligações com o Ocidente e acreditam que o atentado contra ela foi cometido pela CIA, não pelo Taleban. Ela diz querer um dia ser primeira-ministra do país, mesmo que a odeiem.

Miami? Já pensou em Melbourne?

Canadá e Austrália abrigam, cada um, três das dez melhores cidades para viver no planeta, segundo a Economist Intelligence Unit. Para comparar a qualidade de vida em 140 cidades, a EIU leva em conta estabilidade, saúde, cultura, meio ambiente, educação e infraestrutura. Pelo sétimo ano consecutivo, Melbourne foi a campeã, seguida de Viena, Vancouver e Toronto. Calgary e Adelaide empataram em quinto.

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