'Não estamos em 1968', diz Rice sobre ação militar russa

A administração do presidente dos Estados Unidos George W. Bush exigiu hoje que a Rússia suspenda todas as atividades militares na Geórgia e enviou o primeiro avião cargueiro com suprimentos, um C-17, a Tbilisi. "Nós não estamos em 1968 e na invasão da Tchecoslováquia, onde a Rússia pode ameaçar um vizinho, ocupar uma capital e derrubar um governo", disse a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, enviada às pressas por Bush a Paris e a Tbilisi. "As coisas mudaram", disse.Apesar das palavras, os Estados Unidos parecem ter dificuldades de encontrar uma maneira de persuadir a Rússia a honrar o cessar-fogo e a parar a movimentação militar em direção à capital da Geórgia, Tbilisi, após seis dias de conflito. Rice deverá chegar na madrugada de amanhã (horário local) a Paris, onde se reunirá com o presidente francês Nicolas Sarkozy. Em seguida, ela irá a Tbilisi. O governo da Geórgia acusou hoje várias vezes a Rússia de ter violado o cessar-fogo patrocinado pela França e pela União Européia, que também hoje, mais tarde, deverá ser ratificado no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). A Rússia nega ter violado o cessar-fogo."Os EUA estão ao lado do governo democraticamente eleito da Geórgia e insistem que a soberania e a integridade territorial do país sejam respeitadas," disse o presidente George W. Bush mais cedo, nos jardins da Casa Branca. A aparente violação da trégua pelos russos coloca em risco as aspirações globais de Moscou, disse Bush. Ele também anunciou um grande esforço humanitário dos EUA, que envolverá o transporte de suprimentos por vias naval e aérea.Rice ressaltou que os dois candidatos à presidência dos EUA, Barack Obama e John McCain, ofereceram apoio à administração Bush na questão entre a Geórgia e a Rússia. "Eu conversei com os senadores Obama e McCain. E eu sei que eles estão fazendo o que podem para apoiar os esforços da administração, neste momento de difícil diplomacia", disse.''Suave Demais''Mais cedo, em entrevista à emissora de televisão americana CNN, o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, queixou-se que os EUA usaram uma linguagem "suave demais" com a Rússia. "Algumas das primeiras manifestações de Washington foram percebidas pelos russos quase como um sinal verde porque a linguagem foi suave demais. Os russos não entendem esse tipo de linguajar suave", queixou-se o líder georgiano. Em outra declaração polêmica hoje, Saakashvili disse que os americanos tomarão o controle dos portos e aeroportos da Geórgia. O Pentágono precisou negar com veemência a declaração. Com informações da Dow Jones.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.