Christina Rufatto/ESTADÃO
Christina Rufatto/ESTADÃO

'Não estamos lidando com suíços'

Segundo cônsul de Israel em São Paulo, objetivo dos protestos na Faixa de Gaza é derrubar cerca de fronteira e atacar israelenses

Entrevista com

Dori Goren

Cristiano Dias, O Estado de S.Paulo

15 Maio 2018 | 05h00

A resposta de Israel aos protestos em Gaza tem sido desproporcional?

A manifestação não é contra Israel. A razão principal é derrubar a cerca de fronteira e atacar os povoados israelenses. O Hamas está por trás desses protestos, que não são pacíficos. São violentos. 

O sr. acha que todos os que estão na fronteira estão sob ordens do Hamas? 

As pessoas têm o direito de se manifestar, mas desde que não passem a linha de 300 metros, que é o limite de segurança estabelecido por Israel, e não tentem derrubar a cerca na fronteira. Estes não serão alvo. Só atiramos contra as pessoas que tentam atravessar a cerca.

Então todos os 55 mortos tentavam atravessar a cerca?

Sim. A resposta foi bem cirúrgica. Não há outra opção. A alternativa é deixar que eles passem. Não podemos correr este risco. O Oriente Médio é um lugar muito violento. Não estamos lidando com suíços. É um lugar cruel onde a única língua que vale é a força.

O uso excessivo da força não causa uma reação ainda mais violenta?

Não é nossa escolha, mas não há alternativa. Imagine que Israel seja um lutador de sumô diante de um menino de 5 anos que começa a espetá-lo com uma agulha. O lutador pede várias vezes para a criança parar de perturbá-lo, mas ele continua. Até que uma hora ele perde a paciência e bate no garoto, quebrando vários dentes dele. Então, vem a mãe e faz um escândalo, perguntando se os jornalistas filmaram a agressão. Isto é o que está acontecendo em Gaza. Tudo está sendo feito como provocação, para que Israel atire contra os palestinos e cause uma comoção mundial. 

 

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