Não estou renunciando agora, diz presidente do Paquistão

O presidente paquistanês, PervezMusharraf, disse neste sábado que não tem planos imediatos derenunciar ou ir para o exílio, em uma tentativa de acabar comas crescentes especulações sobre se ele deixará ou não o cargo. Musharraf, que é aliado dos Estados Unidos e chegou aopoder como general após um golpe em 1999, tem sido uma figuracada vez mais isolada no governo, já que os partidos que oapoiavam foram derrotados nas eleições em fevereiro. Musharraf tem obstinadamente se mantido na Presidênciaapesar de ter perdido os apoios partidário e público. Assim, a especulação aumentou na última semana de que eleestaria planejando renunciar e deixar os recém-eleitos líderescivis governarem o país. "Não estou oferecendo a renúncia agora", disse ele ajornalistas em comunicado transmitido por todos os canais denotícias. Mas com o governo propondo grandes mudanças na Constituiçãopara limitar os seus poderes, Musharraf indicou que nãogostaria de ser reduzido a um chefe de Estado cerimonial. "Continuarei observando. Não posso me tornar um vegetalinútil", afirmou. "O Parlamento é supremo. O que ele decidirserá aceito por mim... mas eu não gostarei de ser inútil." O viúvo de Benazir Bhutto, Asif Ali Zardari, que lidera opartido que encabeça a coalizão, chamou Musharraf de uma"relíquia do passado". Ele afirma que o Partido do Povo Paquistanês (PPP) nãoreconhece Musharraf como presidente constitucional e esboçou umpacote de leis para reduzi-lo ao papel de figurante. Nawaz Sharif, primeiro-ministro que Musharraf derrubou eque agora lidera o segundo maior partido na AssembléiaNacional, quer que seu sucessor sofra impeachment ou sejajulgado por traição. Perguntado sobre como reagiria se o governo tentassederrubá-lo, Musharraf disse: "Eu aceitarei o que o Parlamentodecidir. Deixem o Parlamento decidir de forma constitucional". Apesar da postura pública de Musharraf, políticos dizem queele reconhece que terá de deixar o governo para não ser a causade mais revoltas, e que sua saída é questão de tempo. O presidente não deu neste sábado pistas de quando issopode acontecer.

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