REUTERS/Leah Millis
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Não foi a economia, estúpido!

Para cientista político, motivação do eleitor americano em 2016 foi cultural, resultado de racismo, sexismo e revolta contra o discurso 'politicamente correto'

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

13 Maio 2018 | 03h00

O cientista político Matt Grossmann, da Universidade do Estado do Michigan, encerrou a discussão sobre a razão da vitória de Donald Trump em 2016. A motivação do eleitor não foi econômica, mas cultural – resultado de racismo, sexismo e revolta contra o discurso “politicamente correto”.

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“A enorme literatura tem muitas discordâncias”, escreveu depois de analisar praticamente todos os estudos sobre o assunto. “Mas as descobertas são claras: atitudes sobre raça, gênero e mudanças culturais desempenharam um papel incomum nas primárias republicanas e nas eleições; as circunstâncias econômicas, um papel limitado.”

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Grossmann contesta as objeções dos defensores da tese econômica, segundo a qual Trump venceu graças aos “perdedores da globalização” no Meio Oeste. “Nem a visão da sorte econômica nas zonas rurais, nem a expectativa dos eleitores sobre suas perspectivas tiveram influência em 2016”, escreve.

É verdade, reconhece, que Trump obteve mais votos de minorias que Mitt Romney em 2012. Negros e grupos identitários que haviam preferido Barack Obama por ampla margem também escolheram Trump em proporção maior que Romney. 

“Mas a escolha desse voto minoritário foi dirigida pelas atitudes em relação à diversidade cultural e mudança de valores”, diz. Em estudo na American Politics Research, constatou maior aversão à mudança entre eleitores de Trump, “uma resposta defensiva das massas a forças que percebem como ameaça a valores, hierarquias e laços culturais comuns”.

Eleições

Piketty vê elites à direita e à esquerda

O economista francês Thomas Piketty expande a análise de Grossmann. Em estudo das eleições na França, Estados Unidos e Reino Unido desde 1947, verificou uma cisão na elite. Enquanto os ricos continuam a votar na direita, os instruídos passaram a votar na esquerda. Abandonada pelos dois lados do espectro, a massa ficou vulnerável ao populismo. “Meu trabalho é o primeiro a tentar relacionar a alta do ‘populismo’ à do ‘elitismo’”, diz. Piketty chama a elite financeira de “mercantil” e a intelectual de “brâmane”, referência à casta indiana instruída.

Coalizão

Distância geográfica nos votos italianos

Nas negociações para o novo governo italiano entre Liga e Movimento 5 Estrelas (M5S), ambos afirmaram que seus eleitores têm traços comuns. Uma análise do cientista político Andrea Maccagno revela que, na verdade, os dois partidos atingem eleitorados divergentes geograficamente. Os eleitores da Liga estão concentrados no Norte; os do M5S, no Sul. Nas comunas com população entre 50 mil e 100 mil habitantes, a primeira atinge sua votação mais baixa; a segunda, a mais alta. “Onde uma é forte, a outra é fraca”, diz Maccagno. 

Crime organizado

Depois da máfia, Saviano enfrenta neonazistas

Autor do best-seller e roteirista da série Gomorra, perseguido pela máfia napolitana, o jornalista Roberto Saviano é a testemunha-chave num processo contra 39 neonazistas italianos de uma rede que ele próprio ajudou a desbaratar na internet, depois de ser assediado por anos.

2ª Guerra

A solução de Roosevelt para os judeus

Uma nova exposição no Museu do Holocausto, de Washington, revela uma faceta sombria do presidente democrata Franklin Roosevelt. Em 1942, ele encomendou um programa secreto, com base em eugenia, para acomodar milhões de refugiados em países da África ou América Latina. A proposta, relatada a Winston Churchill, em maio de 1943, era “espalhar os judeus em pequenos grupos pelo mundo”. Desde o ano anterior, havia relatos de campos de extermínio, confirmados a Roosevelt pelo emissário polonês Jan Karski semanas depois. Em 1944, Harry Truman pôs fim ao delírio.

Literatura

Enfim um Nobel para Philip Roth?

O escritor Philip Roth – que relata a veneração dos judeus americanos por Roosevelt no romance Complô contra a América – voltou à lista de favoritos ao Nobel de Literatura com o escândalo sexual que cancelou o prêmio de 2018. Motivo: em 2019, haverá dois laureados. Se até agora não ganhou o primeiro lugar, quem sabe Roth não leva o segundo?

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