''Não há como apertar o botão de pausa da vida. Tudo será diferente''

Jean Romagnoli, Médico da equipe de resgate

, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2010 | 00h00

Problemas de relacionamento e assédio da imprensa serão os principais desafios dos mineiros depois do resgate, diz Jean Romagnoli, médico que acompanha a saúde deles e preparou o programa de condicionamento físico para o resgate. Abaixo, trechos da entrevista que concedeu ao Estado.

O que pode ocorrer com os mineiros durante a subida?

Falou-se em coágulos sanguíneos e embolia pulmonar, mas acho muito difícil que isso ocorra. A maior preocupação é eles terem um desmaio.

E ataques de pânico?

Acho improvável que tenham ataques de pânico. Eles não têm claustrofobia, senão não seriam mineiros. Mas tudo será monitorado por vídeo.

Que tipo de problemas de saúde eles poderão ter?

Eles estão em um lugar muito quente e úmido. Por isso, muitos desenvolveram fungos na pele, que está sendo tratada com medicamentos. Outros têm cáries e alguns têm infecção na gengiva, que estão sendo combatidas com antibióticos e analgésicos. Será preciso muito cuidado com os olhos, que ficaram na escuridão quase total durante tanto tempo.

Que tipo de problema podem ter por causa do isolamento prolongado?

Eles precisarão de acompanhamento para lidar com o assédio da imprensa. Também esperamos algum grau de dificuldade nos relacionamentos familiares. Eles sairão de lá muito diferentes e seus parentes também. Não se pode apertar o botão de pausa na vida de alguém. Tudo será diferente.

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