Não há crise alimentar iminente, diz FAO

Problemas agrícolas e especulação comercial, e não fundamentos do mercado, foram as principais causas da recente volatilidade de preços no mercado global de grãos, e não há sinais de uma crise alimentar iminente, disse na sexta-feira a agência das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

CATHERINE HORNBY, REUTERS

24 de setembro de 2010 | 17h44

As conclusões constam em um esboço de relatório após reuniões extraordinárias dos Grupos Intergovernamentais (GIG) da FAO para discutir os mercados de grãos e arroz.

Os grupos admitiram que houve um aumento repentino nos preços e uma deterioração das perspectivas para os mercados de cereais nos últimos meses, especialmente no caso do trigo, mas disseram que isso não é indicativo de uma crise alimentar iminente.

"Uma inesperada quebra da safra em alguns grandes países exportadores, seguida por reações (de governos) nacionais e por comportamento especulativo -- e não os fundamentos do mercado -- foram os principais fatores por trás da recente escalada dos preços mundiais e da alta volatilidade de preços prevalente", disse o texto-base aprovado pelos GIG.

O documento alerta que tal volatilidade de preços é uma ameaça grave à segurança alimentar, e que suas causas devem ser combatidas.

Os especialistas propuseram também mecanismos para garantir mais informações e transparência ao mercado.

Em um relatório divulgado no mesmo dia, a FAO estimou que a oferta global de cereais neste ano será de 2,239 bilhões de toneladas, ligeiramente superior às previsões anteriores, e suficiente para cobrir a demanda estimada em 2010-11.

Essa seria a terceira maior safra global já registrada, apenas 1 por cento inferior ao nível do ano passado, apesar da forte redução na produção de trigo e cevada na Rússia e países vizinhos, por causa da seca.

"Pela atual previsão, a produção de cereais em 2010, junto com os grandes estoques acumulados, seria adequada para cobrir a utilização projetada de cereais para 2010-11", disse o relatório.

A previsão é que o mundo consuma 2,248 bilhões de toneladas de cereais no próximo período. A diferença em relação à produção -- 9 milhões de toneladas -- seria coberta pelos estoques existentes, segundo a FAO.

A melhora nas perspectivas da safra de trigo na Austrália fez com que a produção global desse cereal possa chegar a 650 milhões de toneladas, 4 milhões a mais do que na estimativa anterior, em 1o de setembro.

A estimativa da produção global de arroz foi mantida em 467 milhões de toneladas. Apesar das secas e inundações em vários países produtores, a FAO prevê uma safra recorde de arroz neste ano.

(Reportagem adicional de Gavin Jones)

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