Não há disposição para volta de Zelaya, admite chefe da OEA

Insulza chega a Tegucigalpa e ouve da Corte Suprema que situação é irreversível; entidade pode suspender país

Gustavo Chacra, O Estadao de S.Paulo

04 de julho de 2009 | 00h00

A Suprema Corte hondurenha rejeitou ontem o ultimato da Organização dos Estados Americanos (OEA) para que o governo deposto no domingo retorne ao poder. O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, disse ontem que não há disposição em Honduras para restituir o poder ao presidente deposto, Manuel Zelaya, que decidirá se voltará ao país em tais circunstâncias. Ontem, Zelaya havia adiado para amanhã seu retorno a Honduras, inicialmente agendado para hoje.Insulza anunciou que "a OEA continua reconhecendo Zelaya como legítimo presidente de Honduras, onde se cometeu uma ruptura grave da ordem constitucional". Ele acrescentou que a OEA decidirá hoje se suspende ou não Honduras da organização. "Lamentavelmente, em Honduras não há condições para o retorno de Zelaya", declarou Insulza.O presidente da Suprema Corte de Honduras, Jorge Rivera, disse pessoalmente ao secretário-geral da OEA que a "saída de Zelaya do poder é irreversível" e lembrou que há uma ordem de prisão contra ele.Insulza chegou a Tegucigalpa ontem em um avião cedido pela Força Aérea Brasileira para entregar à Suprema Corte e ao Congresso a resolução da OEA. Não estava previsto um encontro com o presidente de facto, Roberto Micheletti. Nas ruas, os hondurenhos continuavam divididos. Manifestantes que apoiam o governo de facto se postaram diante da residência presidencial. Vestiam azul e branco (as cores da bandeira hondurenha) e gritavam slogans contra o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Micheletti liderou o coro em alguns momentos. "Eles dizem que estamos com medo, mas aqui está a prova de que o povo não está com medo. Pedimos aos hondurenhos que se comuniquem com seus parentes ao redor do mundo para dizer que não há um golpe ocorrendo aqui", afirmou.A poucos metros dali, aliados de Zelaya reuniram-se para marchar em defesa do retorno do presidente deposto. O Exército e a polícia reforçaram a segurança e não ocorreram choques entre os dois lados. A chuva que caiu durante a tarde ajudou a reduzir a tensão. Mas, no interior, há informações não confirmadas de violência. Simpatizantes de Zelaya e do governo de facto organizam grandes marchas ao aeroporto para receber o presidente deposto. Partidários de Zelaya querem recebê-lo com festa. Simpatizantes de Micheletti defendem a prisão de Zelaya, que deve chegar acompanhado dos presidentes Cristina Kirchner (Argentina) e Rafael Correa (Equador).Zelaya foi deposto no domingo e enviado para a Costa Rica. O governo de facto, com apoio do Congresso, das Forças Armadas e da Corte Suprema, acusa Zelaya de desrespeitar a Constituição por querer convocar uma consulta popular.

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