'Não há mais tempo a perder' em Mianmar, dizem grupos de ajuda

"Não há tempo a perder" para ajudar ossobreviventes do ciclone em Mianmar, disseram autoridades nosábado, depois que a junta militar que governa o país prometeuque autorizaria a entrada de mais ajuda estrangeira. A junta, criticada por atrasar uma operação coordenada deajuda para as cerca de 2,4 milhões de vítimas deixadasdesamparadas por causa do ciclone Nargis há três semanas,prosseguiu no sábado, nas áreas atingidas, com um referendosobre uma constituição preparada pelo Exército. O comparecimento foi pequeno no delta arrozeiro do rioIrrawaddy e em áreas dentro e nos arredores da antiga capitalYangon, severamente afetada pela tempestade que deixou 134 milpessoas mortas ou desaparecidas. Em um aparente recuo para alavancar a ajuda internacional,o líder da junta, general Than Shwe assegurou aosecretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, na sexta-feira, queMianmar permitiria a entrada de especialistas "de todas asnacionalidades." "Nós não temos mais tempo a perder, então é imperativo queas autoridades de Mianmar forneçam imediatamente à comunidadeinternacional os detalhes práticos do acordo", disse o chefe daárea de assistência da União Européia, Louis Michel. Ban, que se encontrou com Tan Shwe em sua isolada novacapital, Naypydaw, a 390 quilômetros ao norte de Yangon,afirmou depois esperar que o acordo sobre os especialistas"possa produzir resultados rapidamente." Uma voluntária birmanesa de 39 anos, que retornou doexterior para ajudar nos esforços de assistência, estavacética. "Eu estou preocupada que o governo aperte as regras depois,porque eles acham que já cederam o bastante", disse ela. Em Yangon, no sábado, as filas nos locais de votação erampequenas, uma vez que muitos moradores votaram comantecedência, disseram autoridades. A líder oposicionista presae ganhadora do Nobel, Aung San Suu Kyi, pôde votar nasexta-feira na casa onde cumpre prisão domiciliar. No entanto, a votação de sábado terá pouco impacto nodestino do referendo, que, segundo críticos, ampliará o domíniodos militares. A nova Constituição teve aprovação de 92,4 por cento dosvotos em 10 de maio, em partes do país que não foram atingidaspelo ciclone.

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