"Não há nada que pudéssemos ter feito", diz militar

A unidade padrão de tempo que o oficial de forças especiais Eldridge utiliza é o minuto. Ele monta sua arma principal, um fuzil automático, em quatro deles. Gasta um para descer de um helicóptero parado no ar a 60 metros do chão. Pode disparar uma granada atordoante, armar uma bomba de demolição e invadir um salão dominado por terroristas em menos de dois. E só quando está em férias fica a mais de 30 minutos da sua base, em um ponto qualquer dos Estados Unidos. Eldrige é o líder de um esquadrão secreto de operações antiterror do Exército norte-americano. Na noite de terça-feira, chocado depois de ver as imagens dos ataques terroristas em Nova York e Washington, ele considerou inútil seu árduo, longo e caro treinamento: "Não há nada que pudéssemos ter feito." A 1ª Companhia de Assuntos Civis é tão reservada que o nome completo de seu pessoal, ou a mera localização da base não podem ser revelados. Eldridge - no momento designado para uma missão de treinamento avançado na América Latina - e seu grupo só serão acionados para reprimir uma eventual ação terrorista em território norte-americano a partir do momento que o processo estiver em andamento. "O princípio é errado. Precisamos observar os modelos adotados nos países que convivem todos os dias com o terror e aprender com essa experiência. Na Grã-Bretanha, em Israel ou na Espanha, as equipes de fogo entram bem antes dos atentados acontecerem", analisa. Nos Estados Unidos, as equipes especiais antiterror ligadas às Forças Armadas são formadas por voluntários. Homens com altura mínima de 1,80m (1,70m para as mulheres) avaliados inicialmente por meio de um perfil psicológico básico e forma física. Depois de uma semana, dois terços dos candidatos são dispensados. Os remanescentes encaram seis meses de treinamento no inferno. O condicionamento para reação automática em situação de crise implica o acerto na linha de tiro letal de 8 disparos em cada dez com pistola 9 milímetros e fuzil operando em modo singular. Passa por simulações de combate cego, com uso de óculos intensificadores de luz residual, e luta corpo a corpo com facas. E também o uso de granadas de ofuscamento e de fragmentação, escalada de edifícios, mergulho, escuta furtiva, pilotagem de helicópteros, técnicas de neutralização de seqüestradores e sabotadores, operações a descoberto em ambiente hostil: em 180 dias o centro de instrução, em Fort Bragg, conclui a formação dos oficiais antiterror. "Mas o que pode ser feito sem um alerta avançado? Nada", pondera Eldridge. O oficial considera "bastante provável" que tenha havido uma falha grave do setor de inteligência: "É impossível montar uma operação clandestina tão grande sem deixar rastros e sem contar com algum tipo de apoio interno."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.