Não há ´reciprocidade´ entre Blair e Bush, diz oficial

A relação do primeiro ministro britânico Tony Blair com o presidente dos Estados Unidos George W. Bush is "totalmente de um lado só" e o Reino Unido não tem influência sobre a política exterior norte-americana, afirmou um funcionário do Departamento de Estado dos EUA, segundo reportou um jornal britânico The Times, nesta quinta-feira. O jornal afirma que o analista sênior do Departamento de Estado, Kendall Myers, disse, em Washington, que o papel do Reino Unido como ponte entre os Estados Unidos e a Europa está "desaparecendo diante de nossos olhos". Myers disse que, apesar do Reino Unido tentarem influenciar a política externa do país, "nós normalmente o ignoramos e não tomamos nota. É um situação triste". As declarações foram feitas em um seminário acadêmico na Universidade de Johns Hopkins. Myers disse que a relação diplomática "não há senso de reciprocidade". Blair tem sido o principal aliado de Bush na suposta guerra contra o terrorismo, e seu apoio à guerra no Iraque custou a perda de apoio interno na Inglaterra. Críticos afirmam que Blair apoiou uma guerra vista com maus olhos e, dizem alguns, ilegal, e recebeu muito pouco em troca. O Partido Trabalhista, que levou Blair ao poder em 1997, assistiu a sua parda da maioria no parlamento nas eleições do último ano. Blair já anunciou que irá deixar o cargo no próximo ano. Segundo o jornal, Myers afirmou ter se sentido até "um pouco envergonhado" pela forma como Bush tratou seu aliado. O periódico ressalta que o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Terry Davidson, disse que opinião de Myers "não representa a visão do governo dos Estados Unidos".

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