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Não haverá impeachment, nem indiciamento de Trump

Mentiras de Trump ficaram mais expostas depois da delação de seu ex-advogado Michael Cohen e da condenação do ex-chefe de campanha Paul Manafort

Helio Gurovitz , O Estado de S.Paulo

26 Agosto 2018 | 05h00

As mentiras de Donald Trump ficaram mais expostas depois da delação de seu ex-advogado Michael Cohen e da condenação do ex-chefe de campanha Paul Manafort. “A questão é menos se Trump obstruiu a Justiça e mais se (e como) a lei será seguida”, dizem os juristas Barry Berke, Noah Bookbinder e Norman Eisen em parecer para a Brookings Institution. 

Apesar da demissão suspeita do ex-diretor do FBI, do suborno à atriz pornô e à ex-playmate e das evidências crescentes de conluio com os russos na campanha eleitoral, não haverá impeachment, nem mesmo indiciamento de Trump.

Para um presidente americano ser afastado, é necessário o voto da maioria simples dos deputados e de dois terços dos senadores. É provável que, depois da eleição legislativa de novembro, a maioria na Câmara até seja democrata (segundo as previsões, entre 221 e 227 das 435 cadeiras). Mas, mesmo nas previsões mais otimistas para o Senado, não haverá chance alguma de reunir 67 votos contra Trump sem o apoio de pelo menos 15 republicanos.

Indiciar Trump criminalmente é um desafio ainda maior. O Departamento de Justiça tem garantindo “imunidade tácita” a presidentes em exercício. Richard Nixon renunciou antes de ser indiciado no caso Watergate. Bill Clinton foi condenado só depois que o caso Paula Jones chegou à Suprema Corte e, ainda assim, apenas na esfera civil. Um eventual caso criminal contra Trump esbarraria na sólida maioria conservadora na Suprema Corte, reforçada pela confirmação provável do segundo juiz indicado por Trump, Brett Kavanaugh.

Conservadores e republicanos têm feito vista grossa às barbaridades de Trump em virtude do bom momento econômico. Enquanto tal situação perdurar, a chance de traição no Congresso ou na Suprema Corte é ínfima.

TRAIÇÃO - Deserções notáveis no círculo próximo trumpista

Ex-aliados, ao contrário, continuam a abandonar Trump quase diariamente. Depois de Paul Manafort, de Michael Cohen e da ex-aprendiz Omarosa Manigault, duas deserções são notáveis. Primeiro, David Pecker, dono do National Enquirer, tabloide usado para “comprar” histórias contra Trump que jamais seriam publicadas (entre elas, o affair entre Trump e a ex-playmate Karen McDougal). Segundo, Allen Weisselberg, antigo homem de confiança do pai de Trump, único a conhecer em detalhes as finanças da Organização Trump.

PODEROSO CHEFÃO - Da máfia russa ao coração da Organização Trump

A proximidade do presidente Donald Trump rendeu a Cohen o apelido “Tom”, referência a Tom Hagen, “consigliere” jurídico do mafioso Vito Corleone, Robert Duvall no filme O Poderoso Chefão. A família de Cohen era dona de um centro de eventos usado pela máfia russa no Brooklyn, bairro de Nova York, onde ele cresceu rodeado de mafiosos. Cohen foi apresentado a Trump pelo próprio sogro, um ucraniano naturalizado americano, dono de quatro empresas de táxi, condenado por lavagem de dinheiro. 

FICÇÃO - A candidata abduzida por ETs iguais ao Cristo Redentor

Filha de um prisioneiro político cubano, Bettina Rodriguez Aguillera disputa a primária republicana para uma vaga na Câmara por Miami. Ela diz demonstrar atividade paranormal desde os 17 anos e manter contato com extraterrestres. Já contou que, quando jovem, foi abduzida e levada numa espaçonave por seres loiros, semelhantes ao Cristo Redentor do Rio de Janeiro.

TELEVISÃO - Netflix testa sistema de anúncios

Desde julho, é impossível resenhar filmes e séries no site da Netflix. O sistema, diz a empresa, era pouco usado, estava sujeito a manipulação e pouco influía nas recomendações ao usuário. A Netflix testa agora a exibição de anúncios entre episódios de séries assistidas continuamente, informa a ArsTechnica.

HOLOCAUSTO - Investigando o negacionismo

Em Denial: The Unspeakable Truth, Keith Kahn-Harris investiga teorias conspiratórias e o negacionismo que aflige áreas tão díspares quanto Holocausto, vacinas e mudanças climáticas. Não contentes em contestar verdades inconvenientes, científicas ou históricas, os mercadores de ilusão tentam agora, segundo ele, reescrevê-las.

 

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