Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

‘Não interpreto cartas’, diz Dilma sobre asilo a Snowden

Para Palácio do Planalto, não há nada que governo brasileiro possa fazer sem um pedido formal do ex-espião americano

Rafael Moraes Moura, Tânia Monteiro, Vera Rosa / BRASÍLIA,

18 de dezembro de 2013 | 21h36

A presidente Dilma Rousseff disse na quarta-feira, 18, que não interpreta "cartas de ninguém", ao comentar a "carta aberta ao povo do Brasil" assinada pelo ex-agente de inteligência do governo americano Edward Snowden, que se dispôs a ajudar as autoridades brasileiras nas investigações sobre o roubo de informações por parte do governo dos EUA.

Para o Palácio do Planalto e para o Itamaraty, a carta poderia ter sido usada como sondagem a um pedido formal de asilo. "Eu me dou completamente o direito de não me manifestar sobre o que não foi encaminhado. Vou me manifestar como? Não me encaminharam nada, não me pediram nada e, mais do que isso, eu não interpreto cartas de ninguém. Não é a minha missão", disse a presidente, durante café da manhã com repórteres no Palácio do Planalto.

"Eu não acho que o governo brasileiro tenha de se manifestar sobre um indivíduo que não deixa claro e não se dirigiu a nós. Não somos um órgão ao qual se faz ou se consulta ou se comunica de forma que haja intermediários. A nós, não nos foi encaminhado nada", comentou.

Pedido de asilo. Para o jornalista Glenn Greenwald - que revelou os segredos da Agência de Segurança Nacional (NSA) -, a interpretação de que a carta é um pedido de asilo é "totalmente errada". Uma mensagem similar já tinha sido endereçada à Alemanha, na qual Snowden também se dispôs a colaborar com as investigações sobre a atuação da NSA.

De acordo com Greenwald, o americano não quis propor uma "troca" para obter o asilo e a carta seria uma resposta aos pedidos de colaboração enviados a Snowden pelo Senado brasileiro. Dilma e o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, reuniram-se ontem à noite no Palácio do Planalto para discutir o caso Snowden.

Segundo o Estado apurou, a avaliação do Itamaraty é a de que não há nada que o governo possa fazer neste momento. As autoridades brasileiras consideram que não existe um pedido formal de asilo, já que a solicitação apresentada em julho foi feita em nome da Anistia Internacional.

De acordo com fontes diplomáticas, uma eventual aceitação do pedido de asilo seria difícil e poderia trazer impactos na relação bilateral com os EUA. "A NSA e outras agências de espionagem nos dizem que, pelo bem de nossa própria ‘segurança’ - em nome da ‘segurança’ de Dilma, em nome da ‘segurança’ da Petrobrás -, revogaram nosso direito à privacidade e invadiram nossas vidas. E o fizeram sem pedir a permissão da população de nenhum país, nem mesmo do delas", diz o trecho da carta escrita pelo delator do esquema de espionagem, divulgado ontem por meio de sites e publicada na véspera pelo jornal Folha de S. Paulo. "Até que um país conceda asilo político permanente, o governo dos Estados Unidos vai continuar a interferir com minha capacidade de falar." / Colaborou Lisandra Paraguassu

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