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'Não libertem quem matou minha filha', diz israelense em protesto contra troca

Advogado faz petição para que palestina que organizou atentado que matou a filha de 15 anos não seja libertada

Roberto Simon, enviado especial a Jerusalém,

17 de outubro de 2011 | 22h01

JERUSALÉM - O advogado Arnold Roth, de 59 anos, não dorme desde que leu o nome "Ahlam Tamimi" na lista dos 477 palestinos que devem ser soltos na terça-feira por Israel. Foi Ahlam, palestina de origem jordaniana, quem planejou o atentado da pizzaria Sbarro de Jerusalém, em 2001. No ataque, morreram 15 civis - incluindo a jovem Malka, de 15 anos, filha de Roth.

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"Não imagino um monstro como Ahlam, que até hoje se orgulha em dizer que matou minha Malki (apelido de Malka), caminhando para a liberdade, de cabeça erguida", diz Roth. No sábado, ele iniciou uma petição contra a libertação da palestina, assinada por milhares de israelenses.

 

Bomba na caixa do violão

 

Sem avisar aos pais, Malki e uma amiga decidiram almoçar na pizzaria. Elas tinham algum tempo livre antes de ir para o centro educacional onde trabalhavam como monitoras de garotas de 9 anos. Quando escolhiam a pizza diante do caixa, um jovem que parecia levar um violão aproximou-se. Era Izz al-Masri. No lugar do instrumento, havia uma bomba. Malki e sua amiga - além do brasileiro Giora Balazs (mais informações abaixo) e outras 12 pessoas - morreram na hora.

 

O Hamas reivindicou a autoria da ação. Segundo o grupo, ela foi uma resposta à morte de dois comandantes do grupo e seis civis, incluindo duas crianças, em Hebron, uma semana antes.

À época com 20 anos, a universitária Ahlam conduziu o homem-bomba de Ramallah até o centro de Jerusalém Ocidental, passando pelo posto de controle de Calandiya. Ao descerem do carro, segundo a acusação, ela o instruiu a escolher uma esquina movimentada para detonar os explosivos. Masri deveria esperar 15 minutos, tempo suficiente para Ahlam sair do local. O homem-bomba, por alguma razão, decidiu entrar no restaurante.

Divisor de águas

 

A palestina foi sentenciada a 16 prisões perpétuas. Na terça, ela deve cruzar a fronteira com o Egito, de onde seguirá para a Jordânia. Para os israelenses, o atentado foi um divisor de águas. A escolha do alvo chocou a opinião pública e o governo passou a exigir que todos os lugares públicos tivessem seguranças armados na porta, revistando bolsas e interrogando quem quisesse entrar.

Embora se oponha ao acordo para libertar Shalit, Roth reconhece que a esmagadora maioria dos israelenses - 78%, segundo a última pesquisa - concorda com a decisão do premiê Benjamin Netanyahu. “Essa troca é imoral, vergonhosa. Mas eu e minha mulher decidimos centrar nosso pedido em um ponto específico: não libertem Ahlam, a assassina de minha filha".

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