AP Photo/Ariana Cubillos
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Não me culpem pela crise na Venezuela, diz Maduro

Em discurso na Assembleia Nacional Constituinte, presidente reeleito prometeu soltar presos políticos e aumentar produção de petróleo

O Estado de S.Paulo

24 Maio 2018 | 19h14

CARACAS - O recém-reeleito presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse nesta quinta-feira, 24, que responsabilizá-lo pelo colapso econômico do país é uma “simplificação estúpida”, mas prometeu aumentar a produção de petróleo e abrir diálogo com líderes empresariais. Ele prometeu ainda soltar presos políticos da oposição.  

Em discurso em uma sessão especial da Assembleia Nacional Constituinte, na qual o presidente prestou juramento, Maduro afirmou seus planos de promover uma "ampla política de paz e reconciliação nacional". Segundo o presidente, oposicionistas presos por atos de violência política seriam libertados, exceto os que cometeram "crimes graves ou homicídios".

Também nesta quinta, o procurador-geral venezuelano, Tarek William Saab, anunciou a libertação condicional de sete executivos do Banesco, maior banco privado da Venezuela, que foram detidos em 3 de maio sob acusações de tentar "desmantelar o sistema financeiro venezuelano".

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Maduro declarou que é errado culpá-lo pela crise e atribuiu os problemas da Venezuela a um plano do governo dos EUA para sabotá-lo. "É uma simplificação estúpida pensar que este problema é devido a Nicolás Maduro. É um problema de todo o país", afirmou, vestindo uma faixa nas cores amarela, azul e vermelha da bandeira venezuelana.

“Só as pessoas podem salvar as pessoas ... Quem vai nos salvar? Superman? Ou Super-Nico?”, perguntou ele, usando um apelido de seu primeiro nome. “Nenhum deles existe, mas nós temos Super-Pessoas.”

O chavista anunciou que pretende aumentar a produção doméstica de petróleo em 1 milhão de barris por dia (bpd) ainda em 2018. Em planos pouco específicos, ele instruiu o presidente da petrolífera estatal PDVSA, major general Manuel Quevedo, a buscar apoio da China, Rússia, países árabes e Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEC). Atualmente, a produção de petróleo da Venezuela está no nível mais baixo dos últimos 30 anos.

Críticos apontam que as promessas de Maduro são pouco específicas e repetem compromissos que o presidente não cumpriu. Para seus opositores, o socialista é um autocrata inconsequente que não tem um plano real para salvar a economia decadente, e suas ações podem agravar o quadro de desnutrição da população e causar uma séria crise de refugiados.

Nesta quinta-feira, a organização de direitos humanos Foro Penal disse que 15 oficiais militares de alta patente foram detidos na época das eleições, o que, juntamente com outros presos políticos, tem sido considerado "um expurgo das Forças Armadas".

O advogado oposicionista Marialbert Barros afirmou, em sua conta no Twitter, que "este barco revolucionário já afundou porque as pessoas o abandonaram" e "somente uma mudança de modelo pode nos salvar desta tragédia".

Nicolás Maduro foi reeleito no domingo, 20, sob fortes críticas com relação à antecipação das eleições e do baixo comparecimento às urnas. O novo mandato começará em 10 de janeiro de 2019 e deve durar até 2025.

'Conspiração internacional' 

Ainda no discurso de posse, Maduro anunciou a prisão de diversos "conspiradores" ligados à Embaixada dos EUA e ao governo da Colômbia. O presidente não revelou a identidade nem o número de detidos, mas afirmou que eles confessaram fazer parte de uma conspiração para impedir as eleições venezuelanas.

"Eles confessaram que os financiava: uma aliança da embaixada americana na Venezuela com o governo da Colômbia, bancando conspirações para violência militar. Assim, eles acreditavam que evitariam as eleições democráticas e a escolha do povo", declarou à Assembleia.

Na terça-feira, 22, o governo venezuelano expulsou do país o encarregado de negócios dos EUA em Caracas, Todd Robinson, taxando-o de conspirador contra o governo. Na quinta-feira, os Estados Unidos reagiram determinando que o cônsul-geral da Venezuela em Houston e o encarregado de negócios em Washington têm até sábado para deixar o país. /ANSA e REUTERS 

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