'NÃO ME SENTI PRESSIONADA PELO GOVERNO', DIZ ATIVISTA

Ao gravar sua participação no programa Roda Viva, da TV Cultura, que será exibido às 22 horas de segunda-feira, a blogueira cubana Yoani Sánchez disse que os protestos contra ela na Bahia e em Pernambuco não foram espontâneos. "Tentei falar com os participantes e muitos deles nunca leram o que escrevi." Questionada sobre a presença de militantes de movimentos de esquerda ligados à administração federal nos atos contra sua visita, afirmou: "Não me senti pressionada em nenhum momento pelo governo brasileiro".

RODRIGO CAVALHEIRO, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2013 | 02h03

Yoani ficou três horas na TV Cultura, em São Paulo. No início da gravação, repetiu quatro vezes uma chamada em português. "Não há problema, posso fazer de novo", disse sorrindo, depois de usar a expressão "Rueda Viva". Por duas vezes, a blogueira ficou sem voz e teve acessos de tosse. Em uma delas, pediu uma bala de menta. "Falei muito no Brasil", brincou.

Na parte do programa que se concentrou em sua recepção, ela afirmou que antes mesmo de sair de Cuba sabia da possibilidade de manifestações contra sua viagem. "Não fui surpreendida. O maior presente que levo do Brasil é o carinho." A uma pergunta sobre o perfil dos militantes que encontrou, a blogueira respondeu que "é preciso ser contra ditaduras de esquerda e de direita". "Não se pode fazer distinção."

Quanto a sua presença no Congresso Nacional na quarta-feira, onde apareceu com deputados que disputavam espaço a seu lado para uma foto, ela disse que não pode evitar que sua imagem seja manipulada. "Tirei nesses dias fotos com centenas de pessoas, das mais variadas tendências. Meus amigos me dizem: 'vão te usar'. Mas prefiro ser manipulada pela minha voz do que pelo meu silêncio", disse a blogueira.

Yoani levava no pulso direito uma fitinha do Senhor do Bomfim amarela, no esquerdo um relógio prateado desgastado e calçava sapatos puídos. Durante o programa, mediado pelo jornalista Mario Sergio Conti, ela qualificou de "absurda" a acusação de ser financiada pela CIA, mas disse se sentir mais ofendida ainda quando alguém diz que é agente do regime cubano.

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