Não paguem resgate aos piratas, diz premiê da Somália

Primeiro-ministro diz que empresas que pagam por libertação atrapalham estratégia contra os sequestros

BARRY MALONE, REUTERS

22 de abril de 2009 | 08h12

O primeiro-ministro da Somália disse nesta quarta-feira, 22, que embarcações estrangeiras patrulhando a costa do país fracassaram no combate à pirataria e condenou empresas por pagarem resgates às gangues de piratas que sequestram navios.

 

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Os piratas somalis levantaram milhões de dólares capturando navios no golfo de Aden e no oceano Índico. As ações provocaram a elevação dos seguros para navios mercantes que passam pelas águas que ligam a Europa à Ásia. "A única razão que as pessoas (se tornam piratas) é porque as companhias estão decidindo pagar os resgates", disse Omar Abdirashid Ali Sharmarke a jornalistas na capital da Etiópia, Adis-Abeba. "Foi isso que encorajou vários jovens a ir para as águas. Nossa política sempre tem sido 'não pagar resgates'", disse ele.

O governo de Sharmarke está tentando debelar a insurgência islâmica em terra que deixou um milhão de pessoas sem casa e matou outras milhares. Mas as atenções internacionais estão voltadas aos piratas que operam nas estratégicas rotas marinhas. Organizadores de um encontro de doadores em Bruxelas nesta semana dizem que o governo transitório precisa de 165 milhões de dólares no próximo ano para construir suas forças de segurança.

Sharmarke disse que as embarcações estrangeiras que patrulham a costa somali não conseguiram vencer as gangues de piratas. Houve 18 ataques em março, segundo o Escritório Marítimo Internacional. "Elas (as embarcações) não desencorajaram (os piratas) nem um pouco. A única maneira é ter uma força de segurança somali em terra que possa prevenir a pirataria antes que ela aconteça", disse ele. "Nosso objetivo é que a comunidade internacional nos ajude a construir nossas forças de segurança", disse Sharmarke. "Os problemas domésticos somente podem ser combatidos com soluções caseiras."

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