Federico Rios/REUTEURS
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Não podemos cruzar os braços quando nos atacam, diz ELN

Grupo de guerrilha de extrema esquerda da Colômbia, o Exército da Libertação Nacional assumiu a responsabilidade pelo atentado a escola de cadetes em Bogotá

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2019 | 14h54

O Exército de Libertação Nacional (ELN) atacou uma academia da polícia na Colômbia em represália a ações militares do presidente Iván Duque, afirmou na segunda-feira 21, em Havana, o chefe da missão negociadora do grupo, Pablo Beltrán, que não desistiu do diálogo.

Por que o ELN comete um ato desta natureza enquanto defende o diálogo?

Esperamos seis meses. Libertamos soldados e policiais. No final do ano adotamos um cessar-fogo unilateral e mesmo assim fomos atacados, bombardeados, e ao final da trégua começaram os combates, ataques (...). Ninguém pode nos pedir que cruzemos os braços quando nos atacam.

Por que atacar uma academia da polícia?

Em qualquer país do mundo a polícia é um corpo de ordem interna, mas na Colômbia existe uma polícia militarizada. A população não quer isto (...) É parte de um plano contrainsurgente...

O Comitê Central e a comissão de diálogo do ELN sabiam que o ataque iria ocorrer?

Não (sabíamos), é claro. Estamos em Cuba há oito meses. Os planos das nossas Frentes na Colômbia não são nossa atribuição.

Na Colômbia se fala que um setor do ELN está descontente com as negociações de paz. Há dissidência?

Não! Os acordos que firmamos nesta mesa foram totalmente cumpridos por todas as frentes do ELN. Há uma política de ficarmos na mesa, apesar dos ataques que recebemos e dos nossos ataques, que neste caso levam o governo a não vir à mesa.

Como será o retorno?

Em 2016 se firmou um protocolo para o caso de ruptura (...) Foram estipuladas garantias para que o ELN volte às suas zonas e há estados que avalizaram isto. Esperamos que o governo dê garantias para este retorno.

Duque declarou que este protocolo foi firmado por outro governo e não poderá ser respeitado após o atentado. Além disso pediu que Cuba os entregue.

A paz para funcionar tem que ser uma política de Estado. O que acerta um governo deve ter continuidade em outro. Nós firmamos com o Estado e exigimos que o Estado cumpra este protocolo de retorno do ELN. A explosão de um carro-bomba matou 20 cadetes e o autor do ataque na Academia da Polícia em Bogotá. Após o atentado contra a academia, o presidente colombiano acabou com o diálogo de paz, que já estava suspenso desde sua posse, e pediu a Cuba a entrega dos membros da delegação do ELN.

Havana condenou o atentado e garantiu que jamais permitirá que seu território seja usado para organizar atos terroristas contra qualquer Estado, mas destacou que respeitará os protocolos firmados para o caso de ruptura. Os protocolos determinam que os avalistas do diálogo devem coordenar o retorno da delegação do ELN no prazo de 15 dias a partir do anúncio do fim das conversações. Este prazo vence no dia 2 de fevereiro. / AFP

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