AP Photo/Natacha Pisarenko
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‘Não serei uma marionete’, diz cabeça de chapa que terá Cristina como vice

Em paralelo, crescem as especulações sobre uma união do peronismo após as primárias de agosto para fazer frente ao presidente Mauricio Macri

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2019 | 18h29

BUENOS AIRES -  O pré-candidato kirchnerista à presidência da Argentina, Alberto Fernández - alçado à cabeça de chapa no sábado pela ex-presidente Cristina Kirchner - deu as primeiras declarações neste domingo, 19, após o anúncio com a promessa de ser independente da madrinha política. Em paralelo, cresceram as especulações sobre uma união do peronismo após as primárias de agosto para fazer frente ao presidente Mauricio Macri.

“Muitos diziam (em 2007, quando foi chefe de gabinete de Cristina no primeiro mandato) que eu a influenciava e agora dizem que sou uma marionete dela”, afirmou Fernández. “Não sou nem uma coisa nem outra.”

O pré-candidato também afirmou que não acredita que Cristina será condenada no julgamento que começa amanhã, na qual é acusada de corrupção e fraude em licitações quando era presidente. “Sei da honestidade dela”, disse o presidenciável.  Cristina tem imunidade por ser senadora e não pode ser presa preventivamente sem autorização de seus pares. 

Fernández e Cristina tiveram brigas públicas depois de a presidente romper com o setor agrícola e parte dos meios de comunicação da Argentina ainda no primeiro mandato. No segundo, os dois se distanciaram ainda mais e o ex-chefe de gabinete se aproximou de outro ex-kirchnerista, o ex-prefeito de Tigre Sergio Massa, coordenando sua campanha à presidência em 2015. 

O pré-candidato e sua vice se reaproximaram a partir do fim do ano passado. “Num governo, quem toma as decisões é o presidente”, prometeu Fernández, sem deixar de elogiar a companheira de chapa. “Ela é uma figura central na política Argentina. É como você ser o centroavante do time e ter o Messi lhe dando passes para o gol.”

Fernández ainda afirmou que partiu de Cristina a avaliação de que ele seria o nome mais adequado para liderar a chapa kirchnerista. “Para ela, eu sou mais adequado para o momento atual. A Argentina de hoje não é a mesma de quando ela foi eleita”, disse. 

Tido como conciliador e bom articulador político, Fernández foi descrito por analistas como uma tentativa de Cristina de se aproximar do centro do espectro político para fazer frente a Macri, bastante criticado pelo agravamento da crise econômica argentina. 

Negociações com outros peronistas

O primeiro desafio do pré-candidato é tentar unificar o peronismo, atualmente dividido entre kirchneristas e não kirchneristas. Ontem, Sergio Massa – próximo de Fernández e terceiro colocado nas eleições de 2015 – disse, segundo o diário La Nación, que tentará construir uma “grande coalizão peronista” para as eleições de outubro, reunindo as duas facções. Massa ressaltou, no entanto, que não abre mão da candidatura presidencial.

Segundo aliados, o objetivo dele é unificar apoios dentro do peronismo para barganhar com o kirchnerismo um cenário favorável dentro de uma grande coalizão contra Macri. “ Cristina teve um gesto de abertura com o objetivo de reorganizar o peronismo”, disse Massa. / AFP e EFE

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