Narcotráfico foi o grande derrotado nas eleições no México

Em todos os Estados do país onde houve votação, os eleitores tentaram se distanciar dos candidatos ligados aos cartéis

, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2010 | 00h00

Os escritórios da campanha eleitoral foram atacados com bombas, os candidatos ameaçados e mortos e os cadáveres pendurados em pontes na manhã das eleições. Mesmo assim, os mexicanos foram às urnas em números significativos na semana passada, enviando uma mensagem inspiradora em meio a tanta violência: ainda que com falhas, a democracia sobrevive no México.

Uma das facções mais poderosas do país, os narcotraficantes, tentou desvirtuar o processo. Por meio da violência, eles conseguiram diminuir o comparecimento em alguns Estados e apavoraram muitos mesários. Mas as eleições continuaram e os resultados foram aceitos.

Os eleitores procuraram se distanciar dos candidatos ligados ao tráfico. No Estado de Tamaulipas, o povo mostrou-se decidido a declarar que os narcotraficantes não devem decidir as eleições, votando no irmão de um candidato que havia sido assassinado menos de uma semana antes da votação.

Foi necessária uma coalizão inusitada entre Partido da Ação Nacional (PAN) do presidente Felipe Calderón, com o Partido Revolucionário Democrático (PRD), de esquerda, para conter o avanço do PRI, que governou o México por 71 anos, até 2000.

Em 2006, PAN e PRD travaram uma batalha tão acirrada pela presidência que os dois ainda se declaram vencedores. Segundo os analistas, contudo, é improvável que eles unam forças para apresentar um único candidato a presidente em 2012, quando o PRI tentará voltar ao poder.

"O México continua sendo uma democracia imperfeita, como todas, mas aqui funcionam alguns mecanismos que contribuíram para o senso de responsabilidade do eleitorado, permitindo que essas eleições se transformassem em referendos sobre a atuação política local", afirmou Andrew Selee, do Centro Woodrow Wilson, de Washington.

Considerando a profunda influência dos traficantes em muitas instituições locais, não é improvável que tenham eleito um candidato próprio em algum lugar do país . Talvez algum prefeito ou vereador de uma pequena cidade.

Se foi um governador, não terá sido a primeira vez. No entanto, afirmam analistas mexicanos, agora é provável que os narcopolíticos tenham de se conscientizar de que o povo está olhando. / NYT

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