REUTERS/Lean Daval Jr
REUTERS/Lean Daval Jr

Nas Filipinas, Sara segue dos passos do pai e se prepara para sua sucessão 

Nas eleições realizadas na segunda-feira, filha do presidente Rodrigo Duterte é a grande vitoriosa

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2019 | 05h00

As vitórias de Rodrigo Duterte nas Filipinas permitiram que Sara Duterte, sua filha mais velha, pegasse carona no sucesso político do pai. Nos últimos anos, Sara tem mostrado que é habilidosa, aproveitando-se do discurso virulento de combate às drogas e à corrupção. Agora, ela se prepara para lançar sua candidatura à sucessão do pai, em 2022.

Sara ingressou na política como prefeita da cidade de Davao, uma das mais importantes das Filipinas, assim como seu pai. Aos 28 anos, ela foi alçada ao posto de vice-prefeita por Duterte. Desde então, os dois se alternaram no cargo – até o pai ser eleito presidente, em 2016, e ela, prefeita. Neste ano, em vez de seguir os passos naturais na política filipina, e tentar se candidatar ao Senado, Sara fez campanha para a lista de senadores do partido do pai. 

Em vez de concorrer como senadora, Sara buscou a reeleição para a prefeitura de Davao e obteve mais de 579 mil votos contra apenas 4 mil de sua rival, Magdaleno Marcellones, uma candidata independente. 

Mas Sara não se contentou com a luta local. Embora tenha rejeitado concorrer como senadora, uma posição política muito influente nas Filipinas, ela ganhou destaque liderando a campanha do Hugpong ng Pagbabago (HP), uma coalizão de partidos regionais recém-criados que endossou vários candidatos ao Senado que juraram lealdade ao seu pai, prometendo impulsionar sua agenda legislativa nos três anos que restam de seu mandato. 

Nove dos 12 candidatos que ela apoiou foram eleitos. “Duterte está preparando sua filha para ser sua sucessora”, disse à Bloomberg Michael Kugelman, vice-diretor do programa de estudos asiáticos no Wilson Center, em Washington. “As eleições foram exatamente como ele queria e seus partidários estão em uma posição mais forte do que nunca para as próximas eleições presidenciais.”

Influência

Apesar de seguir a trilha do pai, Sara tem um perfil mais moderado e já o condenou publicamente por explosões virulentas e comentários controvertidos. À frente da prefeitura de Davao, Sara promoveu uma agenda progressista, particularmente em questões relacionadas à infância e aos direitos das mulheres, que conquistou o apoio de ONGs locais.

Apesar do perfil mais moderado, ela não está distante de polêmicas. Há dois anos, uma série de acusações de corrupção contra Duterte incluíram a filha. Opositores alegam que a riqueza dela aumentou dez vezes desde 2010. Ela teria negócios ilícitos com o escritório de advocacia do marido, Manases “Mans” Carpio. Nenhuma das acusações chegou à Justiça.

“Faz quase quatro décadas que a família Duterte controla a política na cidade de Davao e tenta estender essa dinastia agora para o plano nacional”, afirmou ao Estado o professor de ciências políticas da Universidade das Filipinas, Gene Pilapil. 

“O plano de Duterte é simples: controlar o Congresso e o Senado, aprovar uma reforma que permita a reeleição e ser candidato em 2022 ou deixar sua filha se eleger e reeleger, e assim evitar investigações sobre a família.”

Além da extensão do legado linha-dura de Duterte, a ascensão de Sara ofereceria também segurança para um presidente forte que pode se ver envolvido em problemas legais após o término de seu mandato. “O verdadeiro vencedor desta eleição é Sara Duterte”, afirmou Pilapil. / EFE, COM RODRIGO TURRER

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