Bernat Armangue/AP
Bernat Armangue/AP

Nas ruas de Israel, pessimismo sobre as negociações

Pesquisa indica que apenas 36% dos israelenses acreditam que Netanyahu tenha intenções reais de atingir acordo com palestinos

Nathalia Watkins ESPECIAL PARA O ESTADO TEL-AVIV, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2010 | 00h00

A negociação de paz não é assunto nas ruas de Israel. Manifestações, cartazes e demonstrações não foram vistos no dia em que o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, reuniu-se no Egito com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, para a segunda rodada de negociações diretas.

Parte da explicação para o pessimismo, que beira a indiferença, está no fato de que apenas 36% dos israelenses acreditam que Netanyahu tenha intenções reais de alcançar um acordo, segundo uma pesquisa divulgada pelo jornal Yedioth Ahronot.

O levantamento indica que 56% dos entrevistados acreditam que suas atitudes são decorrentes da pressão dos EUA. O número de israelenses que acha que a Autoridade Palestina é capaz de firmar um acordo com Israel é ainda menor - só 23%.

"Os números não me surpreendem. Entre os palestinos, o pessimismo é ainda maior. A exigência palestina de suspender as construções é legítima, ao contrário do que dizem israelenses, uma vez que estamos vendo nossas terras sendo cada vez mais tomadas por colônias. Nenhuma das partes quer ou pode ceder", disse o analista palestino Hanna Siniora.

Pelo menos 71% dos israelenses não acreditam que as negociações renderão frutos.Por isso, apesar de a maioria acreditar que a suspensão do congelamento das construções prejudicará as conversas, apenas 42% aceitariam um acordo no qual Israel poderia manter as construções nos grandes blocos de colônias e suspendê-las em assentamentos isolados - hipótese que também é rejeitada pelos palestinos.

"É preciso entender que a moratória vai além da ideologia. Minha empresa investiu 170 milhões de shekels (US$ 45,2 milhões) na preparação de um terreno na colônia de Modiin Illit, sem receber incentivo ou desconto, e nosso dinheiro está parado há dez meses", disse Amir Zaken, diretor de uma construtora. A empresa suspendeu a construção de 2,3 mil unidades na colônia que abriga mais de 30 mil pessoas e não recebeu a indenização prometida pelo governo.

Outras questões além de ideologia e economia motivam a opinião pública israelense quando se trata de assentamentos.

"O pessimismo profundo dos dois lados é resultado de anos de decepção, conversas infrutíferas e promessas quebradas", disse Efraim Inbar, analista da Universidade Bar-Ilan .

Mesmo assim, ele acredita que a questão dos assentamentos não deve representar um obstáculo. "Desocupamos o Sinai, a Faixa de Gaza e assentamentos na Cisjordânia. Utilizar este argumento para se retirar das conversas é mais uma prova da impossibilidade de negociar seriamente com os palestinos."

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