Nasa vai plantar mostarda transgênica em Marte

Nem homenzinhos verdes, nem seres humanos. Os primeiros habitantes de Marte poderão ser plantas luminescentes de mostarda geneticamente modificadas. Pesquisadores da Nasa e da Universidade da Flórida estão desenvolvendo mudas transgênicas de Arabidopsis thaliana contendo um gene de água-viva que emite uma luz verde na presença de condições adversas. A idéia é colocar as plantas em solo marciano dentro de uma pequena estufa automatizada e de ambiente controlado, montada por um robô móvel desenvolvido especialmente para a missão. O crescimento das mudas seria monitorado da Terra por câmeras na estufa, sem a necessidade da presença de seres humanos em solo extraterrestre. As plantas serão geneticamente programadas para brilhar quando encontrarem condições hostis - como falta de oxigênio, água ou nutrientes, temperaturas altas e exposição a raios ultravioletas -, permitindo que os cientistas acompanhem visualmente seu desenvolvimento. "Assim como seres humanos, as plantas precisam se adaptar a novos ambientes", explica o pesquisador Rob Ferl, da Universidade da Flórida, em nota divulgada pela Nasa. "Estamos usando a engenharia genética para criar plantas que podem nos passar informações sobre como ajudá-las a sobreviver." A luminescência não facilita a adaptação dos vegetais, apenas serve como um indicador de saúde. "Podemos saber não apenas se a planta está sobrevivendo, mas se está enfrentando dificuldades e desenvolvendo defesas para se adaptar ao ambiente marciano", afirma Ferl. LuzA capacidade luminosa da mostarda transgênica é emprestada da água-viva Aequorea victoria, espécie comum na costa do Pacífico na América do Norte. Os animais não brilham continuamente, mas o toque de uma mão humana - ou outra indicação de perigo - faz "acender" um anel verde na borda de seus corpos. O gene responsável por essa característica foi isolado e acoplado a um gene de sensitividade da própria Arabidopsis. Ambos foram inseridos no genoma da planta - já totalmente mapeado - por meio de uma bactéria. No futuro, os cientistas esperam desenvolver comunidades "biorregenerativas" que servirão como base para explorar o planeta vermelho. O ambiente seria mantido por um sistema de auto-reciclagem do metabolismo de humanos, plantas e micróbios: plantas e humanos trocam oxigênio e gás carbônico, enquanto os excrementos - após tratamento - seriam usados como fertilizante para cultivar alimentos.

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