Nascimento de princesa reacende debate sobre sucessão

O nascimento, neste sábado, da primogênita da princesa consorte Masako, de 37 anos, e do príncipe herdeiro Naruhito, após grande expectativa, trouxe muita alegria ao país, que atravessa uma crise econômica, mas também deve reacender um antigo debate sobre a necessidade de transformações legais que permitam às mulheres assumir o Trono do Crisântemo.A alegria deste sábado deixou para trás a tristeza vivida pelos 127 milhões de japoneses quando a princesa sofreu um repentino aborto espontâneo, que pôs fim à sua primeira gravidez, provocando o caos na Casa Imperial, diante da possibilidade de que o casal não pudesse dar continuidade à sucessão dinástica - hipótese alimentada pela imprensa sensacionalista japonesa. Segundo funcionários da corte, a princesinha recém-nascida passa bem. Sua mãe, Masako - formada em Economia e Direito nas universidades de Tóquio e Harvard, domina quatro idiomas e é filha de um alto funcionário do ministério do Exterior. Masako abandonou sua promissora carreira para unir-se ao príncipe herdeiro. A sólida formação e a discrição da princesa Masako conferiram a seu marido uma imagem sólida, como futuro imperador do Japão, o 126º da história nipônica.O nascimento de sua primogênita deve intensificar as discussões sobre a lei que diz que somente um homem pode herdar o trono. Não nascem meninos na casa real japonesa desde 1965.O problema não parecia afligir a população, que hoje acendeu em suas casas lanternas de boa sorte e saudações à menina. Cerca de 600 pessoas de Asakasa, bairro da capital onde vive a família real, fizeram uma marcha comemorativa.O primeiro-ministro Junichiro Koizumi falou aos jornalistas sobre a felicidade da nação. "Penso que seria bom se isso alegrasse um pouco o ânimo de todo o país", disse, aludindo ao crescente desemprego e um longo período sem crescimento.A imperatriz Michiko disse ter ficado com os "olhos cheios d´água" ao saber do nascimento do primeiro filho de seu primogênito e seu terceiro neto. O imperador Akihito realizou o primeiro ritual oficial, presenteando o bebê com uma espada de guerreiros samurais e uma antiga saia cerimonial da corte imperial.

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