Nasrallah anuncia que prepara "um governo limpo" no Líbano

O chefe do movimento xiita libanês Hezbollah, Hassan Nasrallah, anunciou nesta segunda-feira à noite que a formação de um "Governo limpo" está próxima, após a renúncia de seis ministros pró-Síria do gabinete do primeiro-ministro, Fouad Siniora. "Este governo (de Siniora) vai partir e nada nos vincula a ele após a renúncia (dos seis ministros)", afirmou Nasrallah na segunda-feira à noite perante cerca de 6 mil pessoas dos bairros do sul de Beirute afetados pelo conflito com Israel, entre julho e agosto. A renúncia dos seis ministros - cinco dos movimentos xiitas Amal e Hezbollah e um próximo ao presidente Émile Lahoud - acentua ainda mais a brecha entre os pró e anti-Síria. "O país é nosso. Sacrificamos dezenas de milhares de mártires, temos doentes, prisioneiros e deficientes físicos para salvaguardar o Líbano e proteger sua dignidade e glória e não daremos o país (a outros)", acrescentou o líder do Hezbollah, segundo o jornal As-Safir. A declaração de Nasrallah foi feita horas depois de o governo de Siniora aprovar, à revelia dos ministros demissionários, o anteprojeto da ONU para a formação de um tribunal internacional que julgue os assassinos do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri. O deputado do Hezbollah Hussein Hajj Hassan, afirmou que as reservas do grupo xiita a respeito do tribunal são "sobre a forma e não o conteúdo" e acusou a maioria parlamentar anti-Síria de exercer "uma hegemonia e um monopólio na tomada de decisão". O Hezbollah pede há semanas a formação de um governo de união nacional, no qual os xiitas e seus aliados cristãos, que seguem o general Michel Aoun, ocupem um mínimo de oito pastas, ou seja, um terço do total - o necessário para bloquear determinadas leis. "A maioria (parlamentar) tenta explicar ao povo que os libaneses estão em conflito por causa do tribunal e isto é completamente falso. Não estamos contra (o tribunal) e todos os libaneses estão de acordo a este respeito", acrescentou o deputado. Mas a maioria acusa o Hezbollah e seus aliados de executar as ordens sírias e iranianas para evitar a criação do tribunal, uma vez que poderia imputar altos representantes sírios pelo magnicídio. O Hezbollah, que afirma que obteve uma "vitória divina" sobre Israel durante o recente conflito armado, ameaçou lançar protestos para fazer o governo de Siniora cair, por ser considerado corrupto e vendido ao Ocidente. No ano passado, os ministros xiitas boicotaram o gabinete durante sete semanas, quando se decidiu discutir do estatuto do tribunal.

Agencia Estado,

14 Novembro 2006 | 09h04

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