Natal faz Caracas importar produtos 'com urgência'

Venezuela acerta compra de 400 mil eletroeletrônicos da empresa sul-coreana Samsung, em meio à crise de desabastecimento

CARACAS, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2013 | 02h03

Um dia depois da aprovação da Lei Habilitante - que permite ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, governar por decreto durante um ano -, Caracas anunciou ontem uma "importação urgente" de eletroeletrônicos para suprir o mercado venezuelano antes do Natal. A companhia sul-coreana Samsung enviará ao país "mais 400 mil equipamentos em trânsito", segundo representantes da empresa e do governo.

"Estamos prontos para importar mais de 400 mil equipamentos, entre eletrodomésticos e eletrônicos, que vão chegar nos próximos dias", anunciou o vice-presidente econômico da Venezuela, Rafael Ramírez. Pouco depois, o governo anunciou a criação de uma empresa de capital misto com a Samsung, que deve iniciar uma linha de produção em território venezuelano em 2014. O acordo prevê um investimento inicial de US$ 50 milhões da gigante sul-coreana em uma fábrica. O governo terá 51% do empreendimento e a empresa, 49%.

Ontem, pelo Twitter, Maduro afirmou que divulgará hoje as duas primeiras leis para combater a crise econômica. Segundo ele, uma é para reorganizar a distribuição de moeda estrangeira no país. A outra, para limitar o lucro dos varejistas. "A direita me subestimou", disse o presidente. "Nos bastidores, se opera uma operação invisível e secreta que criou uma bolha no comércio para levar a economia ao caos."

A Venezuela vive uma grave crise econômica, que tem origem no aumento dos gastos públicos e na diminuição na entrada de dólares. Esse desequilíbrio provocou uma disparada na cotação da moeda americana no mercado paralelo. Isso causou o desabastecimento em boa parte dos bens de consumo duráveis e não duráveis do país, que são, em sua imensa maioria, importados.

A oposição criticou a aprovação da Lei Habilitante, conquistada por Maduro após uma deputada dissidente do chavismo, María Arangurén, ter tido o mandato cassado. Ela foi substituída pelo chavista Carlos Flores, que deu ao governo o voto que faltava para a maioria necessária para aprovar a legislação.

O líder da oposição, Henrique Capriles, convocou para sábado marchas contra a Habilitante, o governo e a crise. Ele afirmou que, em razão da campanha para as eleições regionais do dia 8, não precisa de autorização para as manifestações. / EFE

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