Naufrágio abre debate sobre rumos do setor

Analistas projetam forte queda no lucro das empresas após acidente, já considerado um dos maiores em muitos anos.

RIO, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2012 | 03h01

O naufrágio do Costa Concordia vai acelerar a discussão internacional sobre a possível modificação em projetos de transatlânticos, avalia o engenheiro Segen Estefen, professor de Estruturas Oceânicas e Tecnologia Submarina da Coppe, que congrega os cursos de pós-graduação em engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

"O que se coloca hoje é a viabilidade prática de se retirar passageiros de grandes transatlânticos com segurança", disse Estefen. Segundo ele, esses navios podem ser projetados para que, em caso de acidente, determinadas partes flutuem e funcionem provisoriamente como uma embarcação de segurança. Com essa mudança de projeto, passageiros poderiam aguardar em pontos específicos do próprio navio até a chegada de uma embarcação de resgate, evitando a necessidade de se lançar uma série de balsas ao mar. Segundo ele, comitês da Organização Marítima Internacional (OMI, uma agência da ONU) já iniciaram discussões sobre o tema.

Para o engenheiro, o afastamento do navio da rota prevista e a aproximação da costa indicam possibilidade de falha humana. "Talvez um erro de interpretação da carta náutica. Normalmente, rochas são identificadas por sonares", declarou Segen, que é diretor de Tecnologia e Inovação da Coppe.

Na Europa, sindicatos e especialistas buscam discutir com autoridades marítimas e operadoras a segurança do setor, em expansão há duas décadas. Já analistas apontam para um impacto importante que o acidente deverá ter nos lucros do setor em 2012.

Regras sobre a segurança de navios de turismo foram desenhadas em 1914, dois anos depois do naufrágio do Titanic. "Muitos navios são hoje pequenas cidades flutuando e o número de pessoas a bordo levanta questões sobre a capacidade dessas empresas de garantir a retirada de todos os tripulantes", afirmou Mark Dickinson, secretário-geral da Nautilus, sindicato que reúne 23 mil trabalhadores do setor marítimo em todo o mundo. O número de passageiros nos navios aumentou em 14% entre 2008 e 2010 no mundo, atingindo 18 milhões de pessoas. Até 2015, o volume deveria atingir 25 milhões de turistas. Quando foi lançado, em 2006, o Concordia era um dos maiores navios do mundo. Hoje, é superado por vários modelos, com até 6 mil lugares. O número de navios chega a quase 250. Doze entraram em operação em 2010 e outros 14 no ano passado. / FELIPE WERNECK E JAMIL CHADE, DE GENEBRA

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