Naufrágio de navio de cruzeiro deixa 40 desaparecidos

Mortos identificados no acidente com o Costa Concordia são 3; na Itália, Itamaraty dá assistência a 53 brasileiros que estavam a bordo

PORTO SANTO STEFANO, ITÁLIA, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2012 | 03h01

O naufrágio do navio de cruzeiro Costa Concordia deixou pelo menos 3 mortos e, de acordo com diferentes fontes, entre 40 e 70 desaparecidos, no litoral do noroeste da Itália. Das 4.229 pessoas a bordo, 53 eram de nacionalidade brasileira - 47 turistas e 6 tripulantes, segundo informações o consulado do Brasil em Roma.

Na noite de ontem, as autoridades locais anunciaram o resgate de turistas de origem asiática presos em uma cabines do navio. A causa do naufrágio ainda está sob investigação. Fontes oficiais informaram sobre um corte de ao menos 50 metros de comprimento no casco do navio - ocasionado pela colisão contra um banco rochoso, de areia, ou um recife, na noite da sexta-feira (mais informações nesta página).

A maior parte dos turistas havia acabado de sentar-se para jantar quando um ruído altíssimo interrompeu o pianista. Enquanto a gigantesca embarcação começava a adernar - num processo que, até o afundamento definitivo do navio, durou várias horas -, louças e talheres voaram pelo salão. O caos tomou conta do local enquanto a tripulação - de uma maneira descrita por testemunhas como lenta e desastrada - tentava esvaziar o navio de 114,5 mil toneladas, a maior embarcação de passageiros a naufragar na História.

Em meio a gritos de terror e sirenes de emergência com mensagens incompreensíveis - ou compreensíveis apenas à tripulação, segundo descreveram muitos passageiros -, os turistas brigavam pelos coletes salva-vidas. "O pânico era total. As pessoas se comportavam como animais", contou a italiana Patrizia Perilli.

Os passageiros contaram que a tripulação não conseguia dar instruções para a saída da embarcação e demorou para começar a retirada pelos botes de salvamento, até que a extrema inclinação do navio não permitiu mais que os equipamentos de fuga fossem lançados ao mar.

Apavorados, muitos turistas e tripulantes se lançaram nas águas geladas da costa italiana, depois de ter escalado corredores que se inclinavam cada vez mais, na medida que o navio adernava.

O Grupo Costa, responsável pela embarcação, negou que houve demora na retirada das vítimas. "A evacuação começou imediatamente, porém, a posição do navio está dificultando a finalização do processo. Até o momento, não é possível determinar as razões do problema. A companhia trabalha com o compromisso de prover a assistência necessária", afirmou, num comunicado.

O comandante da Guarda Costeira Francesco Paolillo afirmou que o Costa Concordia se dirigia do porto de Civitavecchia ao de Savona, ambos na Itália, quando atingiu "um obstáculo".

Durante a madrugada, as vítimas resgatadas no mar por helicópteros foram levadas à Ilha de Giglio, onde receberam os primeiros socorros. O número de pessoas socorridas superou o da população local. Um dos mortos era um tripulante peruano. Os outros dois, seriam passageiros franceses. Entre 30 e 40 pessoas ficaram feridas, 2 delas permaneciam ontem em estado grave. O navio transportava cerca de 4.200 pessoas, entre passageiros e tripulantes.

Brasileiros. O Itamaraty informou que não havia registro de nenhum brasileiro entre os mortos ou desaparecidos. A embaixada em Roma mantém um plantão. No Brasil, informações sobre podem ser obtidas pelos telefones (11)2123-3673 e (11) 2123-3679.

Em 2008, fortes ventos fizeram o Costa Concordia bater contra docas em Palermo, no sul da Itália, o que causou danos ao navio, mas não deixou feridos. / NYT, AP e REUTERS

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