Alessandro La Rocca/AP
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Naufrágio do Concordia foi provocado por capitão, dizem especialistas

Relatório mostra que durante 45 minutos Schettino não tomou nenhuma atitude

AE, Agência Estado

13 de setembro de 2012 | 14h45

ROMA - Especialistas indicados por um tribunal italiano culparam diretamente o capitão do cruzeiro Costa Concordia, Francesco Schettino, pelo naufrágio da embarcação e as mortes de 32 pessoas, em 13 de janeiro deste ano, na ilha do Giglio, ao largo da Toscana. Mas eles também afirmam que alguns tripulantes e a Costa, empresa proprietária do transatlântico Concordia, contribuíram para o desastre por causa das medidas deficientes em segurança e no atraso na retirada dos passageiros.

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O Costa Concordia bateu nos recifes e naufragou na ilha do Giglio na noite de 13 de janeiro, após Schettino, de 52 anos, mudar a rota do navio e levá-lo para muito perto da ilha, em numa manobra exibicionista. Segundo os especialistas, tanto Schettino quando a empresa Costa sabiam que o capitão faria a manobra arriscada quando partiram mais cedo do porto de Civitavecchia, no litoral do Lácio.

Schettino é acusado de homicídio culposo (quando não há a intenção de matar), ao naufragar o navio e abandoná-lo antes que todos os 4.200 passageiros e tripulantes fossem retirados. "Madonna, que confusão eu fiz", disse Schettino às 21h45, logo após o choque contra o recife. "Roberto, fiz uma confusão", disse Schettino às 21h56 a Roberto Ferrarini, gestor de emergências da empresa Costa Crocieri.

Às 22h06, Schettino pensava que a situação estava sob controle: "Então Robè, não afundamos e é preciso mandar um rebocador para tirar a gente daqui", diz outro trecho, reproduzido em matéria do diário milanês Corriere della Sera. Na realidade, o naufrágio começava e houve atraso na retirada dos 4.200 passageiros e tripulantes.

Outras oito pessoas, entre elas tripulantes e o coordenador da crise provocada pelo naufrágio do Costa, também estão sob investigação. O Tribunal de Grosseto, na Toscana, ordenou aos investigadores que ajudem a determinar quem, se for necessário, deve ser julgado. Uma audiência foi marcada para outubro.

No relatório de 270 páginas, quatro especialistas reconstituíram e descreveram minuto a minuto o naufrágio de 13 de janeiro. Eles usaram dados e gravações de vozes para para reconstituir a situação. O relatório mostra que durante 45 minutos Schettino não tomou nenhuma atitude, enquanto recebia relatos dos seus subordinados de que o navio estava afundando e os motores não funcionavam. A análise foi publicada na íntegra pelo diário romano La Repubblica.

Com AP

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