Naufrágio leva ministros a pedir demissão no Senegal

O presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, prometeu hoje levar à Justiça os responsáveis pelo pior desastre com embarcação já ocorrido na África. Pelo menos 970 dos 1.034 passageiros oficiais a bordo do ferryboat estatal MS Joola foram confirmados como mortos ou desaparecidos. Hoje, os ministros senegaleses do Transporte, Youssouf Sakho, e da Defesa, Youba Sambou, pediram demissão diante da investigação anunciada pelo governo e da ira pública pela tragédia.O presidente Wade, em entrevista à rede de televisão CNN, admitiu que o número de mortos pode ser ainda maior. "Sabemos que entre os passageiros, crianças, garotas e bebês não foram mencionados. Então, pode acontecer de o número de mortos ser superior a 1.034", disse. "Haverá processo, claro. Sob nossas leis, se um indivíduo provocar um acidente ou a morte de uma pessoa por negligência, ele deve ser processado. As pessoas responsáveis serão levadas aos tribunais", garantiu Wade.A maioria dos mortos permanece dentro do ferryboat. Mergulhadores afirmaram que a decomposição depois de cinco dias nas águas do Atlântico, que chegam a atingir 30ºC, impossibilita a retirada de corpos intactos. A embarcação pertencia ao Estado do Senegal e era administrada pelo Exército. O naufrágio foi causado por uma tormenta na madrugada da última sexta-feira, a pouca distância da fronteira marítima entre o Senegal e Gâmbia. Entre os mortos, na maioria senegaleses, estão dez franceses, cinco espanhóis, dois holandeses, dois belgas e dois suíços.

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