Naufrágio mata 130 imigrantes na Itália

Mais de 250 africanos desaparecem no Mediterrâneo após barco afundar; 151 sobrevivem

O Estado de S. Paulo,

03 de outubro de 2013 | 07h57

Sobreviventes do naufrágio são resgatados. Foto: Nino Randazzo/Reuters

(Atualizada às 20h45) PALERMO, ITÁLIA - Pelo menos 130 imigrantes africanos morreram ontem no naufrágio de uma embarcação superlotada que se encaminhava à Europa, pouco antes do amanhecer, na costa da ilha italiana de Lampedusa. Havia aproximadamente 500 pessoas a bordo, das quais 151 foram resgatadas com vida. Há 250 vítimas desaparecidas.

As autoridades temem que o número de mortos no naufrágio passe de 300. A maioria dos passageiros vinha da Eritreia e da Somália. Depois de deixar o porto líbio de Misrata e passar pelo menos dois dias navegando sobre as agitadas águas do Mediterrâneo, a embarcação parou a menos de 1 quilômetro de Lampedusa. O motor não funcionava.

Ainda estava escuro e não havia sinais de que guardas costeiros tivessem avistado os imigrantes. Para mostrar sua posição no mar, um dos passageiros ateou fogo a um cobertor impregnado de gasolina e as chamas se espalharam pela embarcação. Entra as cerca de 500 pessoas a bordo estavam crianças, bebês e mulheres grávidas.

O pânico tomou conta dos passageiros. "Depois que o incêndio começou, houve a preocupação de que a embarcação afundasse - e todos se deslocaram para um dos lados, fazendo com que o barco tombasse", afirmou o ministro do Interior italiano, Angelino Alfano. Os imigrantes foram arremessados no mar.

Pelo menos 155 pessoas foram resgatadas com vida em barcos de pesca e da Guarda Costeira. As buscas por vítimas do naufrágio continuam. De acordo com o ministro do Interior italiano, três crianças e duas mulheres grávidas estão entre as vítimas. "O mar está cheio de mortos. Parece um cemitério", afirmou a prefeita de Lampedusa, Giusi Nicolini, enquanto os socorristas colocavam os corpos ao longo da costa da ilha.

"Todos (que não foram resgatados) estão mortos certamente", disse o pescador Domenico Colapinto, que resgatou 18 sobreviventes durante a manhã de ontem. "Não há mais ninguém vivo agora, porque, quando retiramos as pessoas da água, elas já estavam exaustas", afirmou o pescador, no início da noite, à emissora SkyTG24.

De acordo com Antonio Candela, diretor de operações de resgate na região, os sobreviventes apresentavam sinais de hipotermia e desidratação, mas não sofreram ferimentos graves. Na noite anterior, 463 refugiados do conflito sírio tinham sido resgatados em Lampedusa.

Milhares de imigrantes chegam à Itália provenientes da África em embarcações precárias a cada ano, a maioria por Lampedusa, que fica a 113 quilômetros da costa da Tunísia.

O papa Francisco lamentou ontem a tragédia. "Só me vem uma palavra à mente: vergonha. Isso é uma vergonha", disse o pontífice. "Rezemos a Deus pelos que perderam sua vida. Homens, mulheres, crianças - e por todos os imigrantes."

"Estou consternado pelo crescente fenômeno global de emigrantes e pessoas que fogem de conflitos e perseguição que morrem no mar", afirmou o comissário da ONU para refugiados, António Guterres.

Segundo autoridades locais, desde 1994, cerca de 6,2 mil pessoas morreram em naufrágios no sul da Itália - os corpos de 4,8 mil vítimas nunca foram encontrados. / REUTERS, NYT e EFE

Mais conteúdo sobre:
ItáliaLampedusanaufrágio

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.