Nauru recebe refugiados rejeitados pela Austrália

Depois de uma viagem de três semanas, 93 refugiados afegãos e iraquianos, que faziam parte do grupo de 433 imigrantes ilegais rejeitados pela Austrália, desembarcaram hoje na pequena ilha de Nauru, no Oceano Pacífico. Eles foram levados pelo navio militar australiano HMAS Manoora até Nauru depois de uma longa disputa diplomática.O presidente de Nauru, René Harris, cujo governo recebeu US$ 10 milhões da Austrália para aceitar os imigrantes temporariamente, saudou os refugiados pessoalmente. Depois de uma festa de boas-vindas, que contou com músicas, danças tradicionais e a presença de uma multidão de moradores e jornalistas estrangeiros, os refugiados - 80 afegãos e 13 iraquianos - foram levados em seis ônibus a um campo especialmente preparado para recebê-los.Assim que os refugiados chegaram ao local penduraram um cartaz de agradecimento: "Graças ao honorável governo de Nauru por dar proteção e abrigo aos refugiados afegãos." A funcionária do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), Marissa Bandharangshi, informou que os trâmites para os pedidos de asilo começarão na próxima semana. Segundo ela, as respostas, sobre se eles foram ou não aceitos, podem demorar várias semanas.AbandonoAlém dos 433 refugiados que haviam sido resgatados em alto mar pelo cargueiro norueguês Tampa, 150 dos quais serão recebidos na Nova Zelândia, o Manoora tem a bordo outros 237 imigrantes ilegais iraquianos e palestinos recolhidos em águas internacionais no dia 7. Eles insistem em ser levados para a Austrália e disseram que não vão descer do navio.As autoridades australianas, após o Poder Judiciário reconhecer esta semana o direito da Austrália de rejeitar os imigrantes ilegais, disseram que os refugiados vão desembarcar em Nauru nem que seja à força. Caso contrário, segundo o ministro de Imigração da Austrália, Philip Rudock, os amotinados serão condenados a permanecer por um tempo indeterminado no Manoora.Agah, um dos refugiados afegãos, disse que abandonou o Afeganistão porque temia por sua vida sob o opressivo regime do Taleban. "Nossa cultura tem sido destruída, nossos costumes abandonados e nossas condições de saúde são péssimas. Também não há liberdade de imprensa. Se você está na oposição ou fala mal do Taleban, eles podem prendê-lo e matá-lo", acrescentou Agah. Segundo ele, a maioria de seu grupo vendeu suas casas ou comércios no Afeganistão para pagar pelo menos US$ 5 mil pela jornada até a Austrália.ImpasseA disputa sobre os 433 imigrantes ilegais começou no dia 27 de agosto, quando o cargueiro Tampa, que resgatou os refugiados de um navio indonésio que estava naufragando, chegou à remota ilha australiana de Christmas. O governo australiano recusou-se em receber os imigrantes, alegando que a Noruega ou a Indonésia, de onde eles haviam partido, deveriam responsabilizar-se pelo destino deles.A Indonésia não quis recebê-los, alegando que suas leis não permitiam a aceitação de imigrantes ilegais, e a Noruega informou que não tinha qualquer responsabilidade sobre eles, pois o cargueiro norueguês os havia resgatado a pedido das autoridades australianas.O capitão do cargueiro, insistindo na urgência de uma resolução para o impasse por causa das péssimas condições a bordo do Tampa, invadiu as águas territoriais australianas, levando o governo de Camberra a negociar com Nauru e Nova Zelândia o recebimento temporário dos refugiados. A Austrália, que recebe 12 mil imigrantes anualmente, informou que só aceitará os refugiados se seu status for confirmado na Nova Zelândia ou em Nauru.

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