Tatyana Makeyeva/REUTERS
Tatyana Makeyeva/REUTERS

Navalni cumprirá pena em colônia a 200 km de Moscou

Principal líder opositor russo foi condenado a dois anos e meio de prisão

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2021 | 16h21

MOSCOU - O principal opositor ao Kremlin, Alexei Navalni, foi enviado neste domingo, 28, a uma região 200 km ao leste de Moscou para cumprir sua pena de dois anos e meio de prisão em uma colônia penal, uma sentença que ele considera política.

Navalni enfrenta vários processos legais desde seu retorno à Rússia em janeiro, depois de passar cinco meses em recuperação na Alemanha após um envenenamento que ele atribui ao presidente Vladimir Putin e ao serviço secreto do país. 

"Alexei Navalni chegou a um estabelecimento do serviço penitenciário russo da região de Vladimir para cumprir sua pena", afirma um comunicado divulgado pela Comissão Pública de Vigilância de Moscou (ONK).

O secretário-geral da ONK, Alexei Melnikov, declarou à agência de notícias Interfax que Navalni passará por um período de quarentena antes de ser enviado a um dos centros penitenciários da região.

Navalni será levado para a colônia penal número 2, na pequena cidade de Pokrov, na região de Vladimir, informaram fontes às agências de notícias TASS e Ria Novosti.

O centro de detenção, com capacidade para 800 presos, é de "regime normal", o que significa que tem condições de detenção menos severas que outras penitenciárias, informaram os meios de comunicação.

Um dos assistentes de Navalni, Leonid Volkov, escreveu no Twitter que ainda não há "confirmação oficial" dos serviços penitenciários sobre o destino do opositor, e que parentes e advogados não receberam nenhuma informação, como é comum na Rússia quando um detento é levado para uma colônia. 

"Os serviços penitenciários russos constituem um sistema sádico, completamente apodrecido, impossível de reformar, porque não sabe como funcionar dentro da lei, sabe apenas agredir e zombar das pessoas", denunciou Volkov, refugiado no exterior.

"Exigimos uma informação oficial sobre o paradeiro de Navalni e o acesso de seus advogados", completou. 

Herdadas dos "gulags" soviéticos, as colônias penais russas têm péssima fama, pelos maus-tratos, condições insalubres e inclusive torturas generalizadas.

Na sexta-feira, o diretor do Serviço Prisional Federal da Rússia, Alexander Kalashnikov, anunciou que Navalni já havia sido transferido. 

"Ele foi transferido para o local onde deveria estar por decisão do tribunal", declarou Kalashnikok.

O diretor também afirmou que o opositor "não tem nenhuma ameaça a sua vida ou saúde".

"Ele cumprirá sua sentença em condições absolutamente normais", disse Kalashinikov, antes de indicar que "o senhor Navalni, se desejar, participará das atividades de produção".

Como no período da ex-União Soviética, a maioria das penas de prisão na Rússia são cumpridas em centros penitenciários às vezes afastados de tudo. 

Os detidos com frequência são obrigados a trabalhar em oficinas de costura ou de fabricação de móveis, por exemplo.

Na quinta-feira, advogados e parentes de Navalni anunciaram que ele havia sido retirado do centro de detenção de Moscou em que estava preso desde janeiro.

A justiça russa confirmou na semana passada a sentença do ativista anticorrupção em um caso de fraude que data de 2014, algo que Navalni, vários países e ONGs denunciam como um processo político.

Sua detenção em 17 de janeiro gerou grandes manifestações na Rússia, que culminaram em mais de 11 mil detenções.

Navalni também foi condenado a pagar uma multa por "difamação" e aguarda outros julgamentos e uma investigação por fraude, acusação que pode resultar em pena de 10 anos de prisão. /AFP

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