Alexander NEMENOV / AFP
Alexander NEMENOV / AFP

Navalni faz campanha por 'voto inteligente' contra Putin na Rússia

Preso e com seus principais aliados impedidos de concorrer nas eleições legislativas do fim de semana, maior rival do Kremlin pede votos para candidatos do Partido Comunista e de outras siglas para desbancar candidaturas pró-Putin

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2021 | 15h00

MOSCOU - Às vésperas da eleição legislativa que define a nova composição da Duma, o equivalente à Câmara dos Deputados para o Parlamento russo, e outros cargos regionais, aliados do principal opositor do Kremlin, Alexei Navalni, pediram votos e declararam apoio a candidatos do Partido Comunista e de outras siglas para desbancar aliados do presidente Vladimir Putin. A campanha de "votação inteligente", promovida pelo grupo de Navalni, visa unificar os votos da oposição ao Rússia Unida, partido apoiado por Putin, que atualmente detém três quartos das cadeiras da Casa e domina a vida política do país.

A iniciativa é uma das poucas alternativas restantes para a oposição de Navalni, que está cumprindo dois anos e meio de prisão por supostas violações da liberdade condicional - que ele diz serem forjadas -, e para seu movimento anticorrupção.

Grupos ligados a Navalni foram rotulados como "extremistas" pelo governo russo, que logo em seguida conseguiu a aprovação de uma lei, sancionada por por Putin em junho, proibindo que pessoas ligadas a organizações extremistas concorram a cargos públicos.

"Milhões de pessoas na Rússia odeiam o Rússia Unida", disse Leonid Volkov, um aliado de Navalni, em um vídeo que acompanha uma lista de candidatos que o grupo diz ter melhores chances de derrotar o Rússia Unida em diferentes distritos eleitorais. E completou: "Explique a todos que não estão satisfeitos com o que está acontecendo no país que eles precisam votar nessas eleições".

A maior parte dos candidatos apoiados pelo grupo é do Partido Comunista, o segundo partido mais popular da Rússia, que atualmente tem 43 cadeiras na Duma - ante os 450 assentos disponíveis. Concorrem pelo partido 140 dos 225 candidatos indicados por Navalni. Em Moscou, 11 dos 15 indicados nos distritos da capital pertencem à sigla.

Ao todo, foram mencionados pelo grupo opositor um total de 1.234 candidatos à Câmara e às eleições locais que estariam mais bem posicionados para concorrer com os nomes apoiados pelo Kremlin. A lista nacional também inclui cerca de 50 candidatos do partido de esquerda Fair Russia e 20 candidatos do ultranacionalista Partido Liberal-Democrata, liderado por Vladimir Jirinovski.

Putin, que está no poder como presidente ou primeiro-ministro desde 1999, ajudou a fundar o Rússia Unida, mas não é membro. Apesar disso, um de seus mais fiéis aliados, o ex-primeiro-ministro Dmitri Medvedev, é uma das principais lideranças da legenda.

Durante a corrida eleitoral, Putin aprovou aumento salarial e pagamentos pontuais a militares e policiais. Ele também prometeu medidas semelhantes para os aposentados. Os críticos do Kremlin dizem que as medidas têm o objetivo de aumentar o apoio ao Rússia Unida, enquanto o Kremlin diz que as medidas de apoio não têm nada a ver com a votação.

Além das medidas do próprio Kremlin, o regulador de mídia russo bloqueou dezenas de sites vinculados a Navalni, incluindo alguns dedicados à campanha "Voto Inteligente". A entidade também faz lobby com gigantes como Google e Apple, exigindo a remoção de conteúdos vinculados à campanha da oposição.

Pesquisas eleitorais apontam uma vitória fácil do Rússia Unida nas eleições, que serão realizadas entre os dias 17 e 19 de setembro. A expectativa é que o partido obtenha ao menos 30% dos votos./ REUTERS e AFP

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