Alexander Zemlianichenko/AP
Alexander Zemlianichenko/AP

Dissidente respira sem aparelhos e promete que voltará à Rússia

Kremlin voltou a pedir prontuário de Navalni ao hospital alemão onde o líder opositor russo está internado

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2020 | 09h00
Atualizado 18 de setembro de 2020 | 13h50

MOSCOU - O líder da oposição russa Alexei Navalni afirmou nesta terça-feira, 15, que consegue respirar sem a ajuda de aparelhos. A declaração foi feita pelas redes sociais, no primeiro pronunciamento de Navalni desde seu internamento, em agosto, após ser envenenado durante viagem à Sibéria.

O líder opositor publicou no Instagram fotos ao lado da mulher e sentado na cama do hospital em Berlim, onde segue internado. Navalni disse sentir falta dos seus seguidores – ele tem 1,7 milhão só no Instagram – e contou um pouco sobre sua recuperação. “Ontem, eu consegui respirar sozinho o dia todo”, disse. E completou: “Gostei muito, é um procedimento subestimado por muitos. Eu recomendo.”

De acordo com o hospital Charité, de Berlim, Navalni poderá abandonar por completo a respiração artificial em breve, apontando o progresso na recuperação do líder opositor, que deixou o coma induzido na semana passada – ele ficou internado dois dias na Rússia antes de a família pedir sua transferência para a Alemanha.

O hospital alemão diz que o russo foi envenenado pela substância novichok – um agente neurotóxico desenvolvido na União Soviética entre as décadas de 1970 e 1980. A informação foi confirmada em duas análises de laboratórios da França e da Suécia nesta terça-feira, 15. O uso do novichok levantou suspeita de uma ação do Kremlin para se livrar do opositor. 

Também nesta terça-feira, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, pediu novamente às autoridades alemãs que enviassem o prontuário médico de Navalni e disse que seu país está “disposto a cooperar” no caso. 

Em uma ligação com seu colega alemão, Heiko Maas, Lavrov também disse que não queria que o envenenamento do mais ferrenho oponente do Kremlin “se tornasse ainda mais politizado”. A procuradoria alemã, porém, já indicou que o dossiê médico do opositor só pode ser enviado à Rússia com a autorização do paciente.

Segundo o New York Times, Navalni pretende voltar à Rússia para “continuar sua missão”, segundo ele teria contado a um procurador alemão. O procurador, que preferiu manter o anonimato, destacou que o russo está bem. “Ele não planeja ficar exilado na Alemanha. Ele quer voltar para casa e continuar sua missão”, disse. A informação foi confirmada por um porta-voz de Navalni logo em seguida. / AFP e NYT

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