Nave liga motores para controlar velocidade da Mir

A nave espacial Progress acoplada com a estação orbital Mir teve seus motores ligados nas primeiras horas de sexta-feira (dia 23 em Moscou) no início das últimas seis horas de vida da estrutura de 15 anos, para um irreversível mergulho no Oceano Pacífico. O comando foi enviado às 3h31 locais (21h31 em Brasília), quando a Mir se encontrava pouco abaixo da linha do Equador, sobre o Oceano Índico, e durou cerca de 21 minutos. Um segundo impulso deverá ocorrer às 5h locais (23h em Brasília). A operação tem como objetivo reduzir a velocidade da Mir e trazê-la para sua órbita final antes da queda no mar. Os motores da Progress serão acionados novamente às 8h locais (2h desta sexta-feira em Brasília). Os fragmentos que não se incendiarem cairão no Pacífico Sul entre 3h20 e 3h30. A estação deverá cair no mar, numa área do Oceano Pacífico entre Austrália e Chile, aproximadamente a 44 graus de latitude sul e 150 graus de longitude oeste. Mais cedo, a nata dos funcionários do Controle de Missão russo deixou as emoções de lado nesta quinta-feira (22) e fechou a era da glória espacial do país ao enviar a última seqüência de comandos para posicionar a Mir, estação de 15 anos. Em seu último dia de operação, a Mir captou energia solar para carregar suas fracas baterias, estabilizar seu alinhamento e dar suas últimas voltas em torno da Terra. Todas as manobras foram suaves, mas ainda restam algumas ações cruciais e a incerteza que prevalecerá até o fim sobre onde cairão os pesados restos de metal da Mir depois da a maior parte da estação queimar na atmosfera. Fonte de grande orgulho, a Mir foi construída para simbolizar as já escassas proezas tecnológicas da extinta União Soviética. A estação foi enviada ao espaço em 1986, ano que marcou um ponto de convergência na história soviética. A Mir entrou em órbita apenas cinco semanas antes de o então líder da URSS, Mikhail Gorbachev, adotar a perestroika - as reformas que derrubaram o império comunista - e apenas dois meses antes da explosão de um reator da usina de Chernobyl, no mais grave acidente nuclear da história. A decisão de derrubar a estação orbital desagradou aos russos nostálgicos da União Soviética. Cerca de 15 pessoas manifestaram-se brevemente nesta quinta-feira em frente ao Controle de Missão. Elas levaram um cartaz contendo um retrato do cosmonauta Yury Gagarin, a primeira pessoa a ir para o espaço e os seguintes dizeres: "Não desistam da indústria espacial russa!" Jornais pró-comunismo e parlamentares protestaram durante semanas, mas as autoridades espaciais alegam que a estação está decrépita e gera muitas despesas. Dentro do Controle de Missão, o clima era estritamente profissional, com os controladores evitando lamentar o destino da Mir enquanto analisavam papéis e dados para preparar os comandos cruciais para a derradeira descida da estação no início da manhã desta sexta-feira. "Todas as emoções que sentimos só serão declaradas amanhã, após o afundamento da estação", disse Andrei Borisenko, o diretor de operações do Controle de Missão. "Hoje, estamos trabalhando com as emoções de lado e desempenhando nossas funções."

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