Navi Pillay fala sobre crimes no confronto em Gaza

A Alta Comissária para Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Navi Pillay, advertiu todos os lados envolvidos no confronto na Faixa de Gaza para que não ataquem civis indiscriminadamente e alertou que as violações podem constituir crimes de guerra.

Agência Estado

23 Julho 2014 | 11h53

Pillay disse nesta quarta-feira em Genebra que cerca de três quartos dos 650 palestinos e 30 israelenses mortos até agora eram civis e que milhares ficaram feridos. Os números, afirmou ela, incluem 147 crianças mortas em Gaza nos últimos 16 dias.

Ela destacou um ataque com mísseis, disparados por um avião teleguiado (drone) contra a Cidade de Gaza que matou três crianças e feriu outras duas quando elas estavam brincando no telhado de sua casa. Pillay também fez referência a um ataque israelense e a um bombardeio naval que atingiu sete crianças que brincavam numa praia de Gaza, matando quatro pessoas de uma mesma família.

"Estes são apenas alguns exemplos nos quais parece haver a forte possibilidade de a lei humanitária ter sido violada, de uma forma que pode constituir crimes de guerra", disse ela ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, do qual fazem parte 47 países. "Cada um desses incidentes deve ser investigado de forma apropriada e independente."

Israel lançou sua operação contra Gaza em 8 de julho em resposta ao disparo de foguetes vindos de Gaza. Os combates se intensificaram na semana passada com o início de uma ofensiva terrestre do Exército israelense.

Pillay também advertiu que o Hamas e outros grupos estão violando a lei internacional.

"Crianças israelenses e seus pais e outros civis também têm o direito de viver sem o medo constante de que um foguete disparado de Gaza possa cair sobre suas casas ou escolas, provocando morte e ferimentos", disse ela.

"Mais uma vez, os princípios da distinção e da precaução claramente não estão sendo observados com os ataques indiscriminados a áreas civis pelo Hamas e outros grupos armados palestinos", acrescentou.

Pillay disse que o não cumprimento desses princípios pode representar crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Fonte: Associated Press.

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