Navio chinês carregado de armas atraca na África do Sul

Armamento seria destinado ao governo do Zimbábue; estivadores se negam a descarregar peças

18 de abril de 2008 | 17h15

Um navio cargueiro chinês carregado com cerca de 77 toneladas de armas pequenas, incluindo munição, fuzis AK-47, morteiros e granadas, ancorou no porto sul-africano de Durban. Segundo divulgou o governo da África do Sul, as armas devem ser transportadas para o Zimbábue. O governo anunciou ainda que não pode intervir na situação já que a documentação do navio está em ordem. As informações são do jornal britânico The Guardian. Veja também: Mugabe acusa Reino Unido de financiar oposição do Zimbábue Cópias dos documentos do navio chinês, o An Yue Jiang, mostram que as armas foram enviadas de Pequim para o ministro da defesa em Harare, capital do Zimbábue.A documentação foi expedida no dia 1 de abril, três dias depois das eleições no país africano. O comitê de controles de armas da África do Sul expediu uma permissão na última segunda-feira, 14, para o transporte do armamento de Durban para Harare. O porta-voz do governo sul-africano, Themba Maseko, disse ontem que 'não está em posição de agir unilateralmente e interferir em um acordo comercial entre dois países". A embarcação aind anão foi descarregada, no entanto. Maseko ainda disse que a África do Sul não encorajou a aquisição de armas pelo Zimbábue,  mas ressaltou que não há nenhum embargo comercial da ONU contra o Zimbábue. Funcionários do porto de Durban estão se recusando a descarregar o navio. O secretário-geral do sindicato dos trabalhadores, Randall Howard disse que eles não concordam com a posição do governo de não-intervenção. "Nossos membros não vão descarregar o navio, nem nenhum dos nossos motoristas vai tranportar a carga", disse.  Apesar das críticas internacionais, o governo chinês tem sido um grande apoiador do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, e seu regime autoritário, fornecendo aviões, veículos militares e armas. A China também é acusada de ter vendido equipamentos para impedir que estações de rádio independentes de transmitam informações que contradigam a mídia oficial. Além disso, o país usou seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU para evitar que a questão da crise Zimbábue fosse levantada. O líder do partido conservador britânico, William Hague, disse na última quinta-feira que "a comunidade internacional deve pedir que a China suspenda a venda de armas para o Zimbábue." "O regime de Mugabe continua a negar à população do Zimbábue o direito de escolher seus líderes. Fornecer armas a este regime no momento em que ativistas de oposição estão sendo intimidados e atacados fere a reputação da China", disse Hague, que completou: "Esta é a hora dos países vizinhos, como a África do Sul, dizerem que esses carregamentos não são bem-vindos.  O Ministério das relações exteriores da Grã-Bretanha foi mais cauteloso. Um porta-voz disse que o "Reino Unido e os EUA baniram a venda de armas ao Zimbábue e esperam que outros governos façam o mesmo." Um porta-voz do ministro das relações exteriores da China disse que está a par das informações sobre o carregamento, mas que precisa de mais tempo para se pronunciar sobre o problema. As informações sobre o carregamento de armas vem depois de que um membro do partido de oposição no Zimbábue, o Movimento para a Mudança Democrática, denunciou que soldados chineses foram vistos no país. Há sinais de que a África do Sul acabe se curvando à pressão internacional depois que o governo pediu que os resultados das eleições do Zimbábue sejam divulgados.

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