Navio desliza 7 milímetros por hora e complica resgate na Itália

Costa Concordia pode cair em abismo, tornando quase impossível retirar seu combustível e evitar um desastre ambiental

ROMA, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2012 | 03h02

O analista Nicola Costagli, professor da Universidade de Florença, informou ontem que o navio Costa Concordia, que naufragou no dia 13 na Ilha de Giglio, no Mar Mediterrâneo, desliza 7 milímetros por hora. O deslocamento constante causou a interrupção dos trabalhos de resgate dos mergulhadores. Costagli, encarregado de acompanhar a estabilidade do transatlântico, disse ainda que a proa movimenta-se em maior velocidade do que a popa, em até 15 milímetros por hora.

Apesar da impossibilidade de as equipes de salvamento entrarem no navio, as tarefas de inspeção continuaram graças a um robô teleguiado por cabo, com capacidade para descer até 500 metros de profundidade. A sonda verifica os pontos de apoio da embarcação, além de buscar 21 pessoas que ainda estão desaparecidas - até agora, 11 corpos foram encontrados.

As autoridades locais estão de olho na previsão do tempo, já que uma tempestade deve chegar em breve à região e piorar a estabilidade do navio. As correntes marítimas e as ondas poderiam empurrar o casco em direção a um precipício de 70 metros de profundidade, tornando praticamente impossível qualquer possibilidade de retirar as 2,4 mil toneladas de combustível.

Em caso de vazamento, a Itália pode sofrer o maior desastre ambiental das últimas duas décadas - em 1991, um petroleiro que levava 144 mil toneladas de óleo afundou na costa de Gênova. A Ilha de Giglio faz parte de um parque natural marinho que é um dos mais importantes ecossistemas do Mediterrâneo.

Francesco Schettino, comandante do navio, segue em prisão domiciliar. Ontem, seu advogado, Bruno Leporatti, negou que seu cliente estivesse acompanhado de uma mulher na noite da tragédia e garantiu que ele avisou a empresa. "Estou passando por Giglio e houve uma colisão. Fiz uma besteira", teria dito Schettino a Roberto Ferrarini, chefe da unidade de crise da companhia proprietária do navio. / REUTERS e AP

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