EFE/EPA/STR
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Navio do tamanho do Empire State fica encalhado no Canal de Suez

Navio porta-contêiner Ever Given, que tem 400 metros de comprimento e 59 metros de largura, encalhou após fortes rajadas de vento que atingiram a região do canal e causa engarrafamento

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2021 | 07h18
Atualizado 24 de março de 2021 | 15h21

O Canal de Suez foi bloqueado depois que um dos maiores navios porta-contêineres do mundo encalhou, cortando uma artéria comercial vital e atrasando os embarques de mercadorias e commodities para o mundo.

O navio porta-contêiner Ever Given, que tem 400 metros de comprimento e 59 metros de largura, é quase tão longo quanto o Empire State Building é alto. Ele carrega 200 mil toneladas de mercadorias, e aguenta 20 mil contêineres. Por causa de fortes rajadas de vento que atingiram a região, ele se encaixou horizontalmente na extremidade sul do canal, com rebocadores envolvidos em um esforço para libertá-lo.

O bloqueio causou um rápido congestionamento de navios, e mais de 100 embarcações aguardam a liberação do canal para fazer a travessia. O navio porta-contêineres é operado pela Evergreen Marine, com sede em Taiwan.

A Evergreen disse na quarta-feira, 24, que o navio havia entrado no Canal de Suez vindo do Mar Vermelho às 8h, horário da Europa Oriental, na terça-feira.

"A cerca de seis milhas náuticas da extremidade sul do canal, o navio é suspeito de ter recebido uma súbita rajada de vento forte, que fez com que o corpo do navio desviasse de seu curso e encalhasse acidentalmente", disse a Evergreen Marine em um comunicado por e-mail.

Todos os dias, cerca de 50 navios navegam ao longo dos 160 quilômetros de comprimento do Canal de Suez, que foi construído entre 1859 e 1869 para conectar o Mediterrâneo ao Mar Vermelho e à Ásia.

Samir Madani, da TankerTrackers, disse que poucas horas após o bloqueio, cerca de 10 milhões de barris de petróleo bruto e produtos petrolíferos pararam perto das entradas norte e sul dos canais.

Além do petróleo que flui do Oriente Médio para os mercados da Europa e América do Norte, o canal se tornou uma grande rota de trânsito para o petróleo que flui da Rússia para a Ásia nos últimos anos.


"O canal é um ponto de passagem fundamental para o comércio global", disse Madani ao jornal Financial Times. "Se eles puderem liberar o navio rapidamente, o impacto será minimizado, mas qualquer bloqueio prolongado terá consequências graves, desde afetar os preços do petróleo e as taxas de transporte até forçar os navios porta-contêineres a fazerem uma rota muito mais longa em torno da África."

O fluxo total de petróleo através do canal e seu sistema de oleoduto Sumed associado foi responsável por quase 10% do petróleo global comercializado por via marítima em 2018, de acordo com a Administração de Informação de Energia dos EUA. Cerca de 8 por cento do comércio de gás natural liquefeito também passou pelo canal naquele ano, disse a EIA.

O petróleo Brent, referência internacional, subiu cerca de 1%, para US$ 61,35 o barril, nas negociações de Londres na quarta-feira. Os preços estavam sob pressão no início desta semana, devido às crescentes preocupações com a demanda, causadas por novas restrições sociais para combater o coronavírus na Europa.

Cerca de 19 mil navios utilizaram a passagem em 2020, de acordo com a Autoridade do Canal de Suez (SCA). A passagem marítima é uma fonte de rendimentos essencial para o Egito, que recebeu US$ 5,6 bilhões em taxas, no ano passado.

O navio Ever Given, de bandeira do Panamá, que foi lançado em 2018, tem pouco menos de 400 m de comprimento e 59 m de largura e estava a caminho de Roterdã, de acordo com o site de rastreamento de navios da Marine Traffic.

Uma foto da embarcação postada no Instagram por um marinheiro supostamente no navio atrás do Ever Given mostrava a embarcação totalmente carregada bloqueando todo o canal. Um escavador na margem oriental do canal foi fotografado tentando libertar o navio./ AP E REUTERS

 

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