Cathal Noonan / AFP
Cathal Noonan / AFP

'Navio fantasma' aparece na costa da Irlanda após vagar por mais de um ano no Atlântico

Desde que foi abandonado por sua equipe, há quase 17 meses, o MV Alta vinha flutuando sozinho pelo oceano, enferrujando e perdendo partes enquanto contornava a África, a Europa e as Américas

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2020 | 18h26

DUBLIN - Uma embarcação misteriosa apareceu no litoral sul da Irlanda em meio a uma violenta tempestade, preso a rochas e despertando a perplexidade de moradores e autoridades. "Como um navio tão grande poderia ter sido abandonado? Havia alguém dentro?", questionavam. 

Um atleta notou pela primeira vez o navio de carga de 2,4 mil toneladas e 77 metros de comprimento no domingo, enroscado sob um penhasco à beira-mar. 

Mais tarde, naquele dia, a Guarda Costeira irlandesa enviou um helicóptero de resgate para o local, na esperança de fazer contato com algum membro da tripulação que pudesse estar a bordo.

O que se descobriu foi que a embarcação parada perto da vila de pescadores de Ballycotton, no Condado de Cork, era um "navio fantasma", flutuando há muito tempo pelo Atlântico, sem ninguém a bordo. 

Desde que foi abandonado por sua equipe, há quase 17 meses, o MV Alta vinha flutuando sozinho pelo oceano, enferrujando e perdendo partes enquanto contornava a África, a Europa e as Américas.

"Este é um em um milhão", disse John Tattan, funcionário da filial local do Royal National Lifeboat Institution, uma organização sem fins lucrativos que resgata pessoas encalhadas no mar nas costas britânicas e irlandesas, em entrevista ao Irish Examinador. "Nunca vi nada abandonado assim antes."

Tattan acrescentou que era particularmente desconcertante o fato de o MV Alta ter conseguido passar por tantos barcos de pesca na costa sul da Irlanda sem ser detectado. O governo do Condado de Cork alertou ao público para ficar longe do local do naufrágio. 

De acordo com uma declaração na segunda-feira, a embarcação está "localizada em um local perigoso e inacessível da costa e em condições instáveis​".

Construído em 1976, o MV Alta estava navegando sob a bandeira da Tanzânia e mudou de propriedade mais recentemente

em 2017 - embora não estivesse claro para quem. 

O navio de carga navegava da Grécia para o Haiti em setembro de 2018, quando deixou de funcionar no meio do Oceano Atlântico, deixando 10 tripulantes presos a 2,2 mil km a sudeste de Bermudas, um território britânico. 

Incapaz de fazer reparos, os tripulantes tiveram que receber suprimento de comida por uma semana enquanto esperavam por ajuda.

Quase 20 dias depois, um navio da Guarda Costeira dos EUA chegou para resgatar a tripulação e levá-los para Porto Rico, segundo o site gCaptain, especializado em notícias do setor marítimo. Os oficiais da Guarda Costeira também procuravaam o proprietário do navio, esperando que ele pudesse contratar um rebocador comercial para levar o navio até a costa.

Não está claro se isso aconteceu. Há suspeitas de que o Alta tenha sito sequestrado enquanto estava sendo rebocado para a Guiana, talvez até duas vezes.

O navio não foi oficialmente visto por quase um ano. Em agosto de 2019, um navio de patrulha de gelo da Marinha Real passou pelo Alta no meio do oceano, fazendo contato para oferecer ajuda, mas não recebeu resposta.

O que aconteceu depois desse encontro também é um mistério. Tattan disse ao jornal Examiner que ele acredita que o Alta cruzou o oceano em direção à África, onde flutuou para o norte, passando pela Península Ibérica e entrando no Mar Celta, ao sul das Ilhas Britânicas.

Então, no fim de semana, a tempestade Dennis causou inundações generalizadas e provocou retiradas de moradores nas Ilhas Britânicas.

Apelidado de "ciclone de bomba", a tempestada provocou chuvas equivalentes a um mês em apenas 48 horas, com rajadas de ventos de até 110km/h  e ondas de até 24 metros de altura. E também parece ter trazido o MV Alta.

A descoberta do navio fantasma  inicialmente desencadeou um plano de contingência do Condado de Cork para possíveis vazamentos, com autoridades monitorando como o combustível ou qualquer carga a bordo poderia afetar a costa, conhecida por suas colinas verdes, enseadas de areia e áreas de conservação próximas.

As autoridades determinaram na segunda-feira que não havia sinal de poluição. Na terça-feira, esclareceram que uma empresa empreiteira inspecionará a embarcação na maré baixa para determinar o que fazer com ela./ W. POST e EFE   

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