Ariel Schalit/AP
Ariel Schalit/AP

Navio israelense prende pescadores palestinos em Gaza

O incidente ocorreu na cidade de Beit Lahiya, disse Nizar Ayyash, da União de Pescadores de Gaza

Estadão Conteúdo

09 de setembro de 2014 | 18h05

Um navio israelense prendeu quatro pescadores palestinos na Faixa de Gaza e confiscaram seu barco nesta terça-feira, informou uma autoridade local. Foi um dos primeiros atritos entre os dois lados desde que a guerra em Gaza terminou, em 26 de agosto.

O incidente ocorreu na cidade de Beit Lahiya, disse Nizar Ayyash, da União de Pescadores de Gaza. O Exército de Israel informou que dois navios operavam fora do limite marítimo permitido por Israel e, após ignorarem pedidos para que se movessem para mais perto da costa, as embarcações foram ocupadas por funcionários navais israelenses.

Israel e militantes do Hamas em Gaza terminaram uma guerra de 50 dias de intensa luta em agosto e se comprometerem a estabelecerem conversas indiretas de trégua no Cairo com o objetivo de desenvolver um guia sustentável para o futuro do território costeiro densamente povoado. Como parte do acordo de cessar-fogo que encerrou o conflito, Israel dobrou a área marítima em que os pescadores de Gaza podem trabalhar de cinco para nove quilômetros.

Também nesta terça-feira, o substituto do primeiro-ministro palestino disse que doadores internacionais estão hesitantes a financiar a reestruturação da Faixa de Gaza enquanto o grupo extremista Hamas continuar no controle e enquanto houver a perspectiva de futuras guerras.

Mohammed Mustafa, um alto funcionário da autoridade palestina na Cisjordânia, disse que organizações internacionais estão ansiosas para que forças do Fatah, aliadas ao Presidente Mahmoud Abbas, tomem a liderança em Gaza após a guerra na região. Com o Hamas ainda comprometido com a destruição de Israel e com um arsenal de foguetes disponível, os doadores estão cautelosos com a reconstrução, disse Mustafa. A guerra desse verão foi a terceira em menos de seis anos.

"Alguns países doadores estão preocupados por causa da atmosfera do local, porque a reconstrução não é possível sem permitir que o governo (palestino) assuma a liderança em todos os aspectos da vida em Gaza", disse Mustafa. Ele afirmou que, apesar dos obstáculos, a Autoridade Palestina lançou um plano de alívio para Gaza e vai pedir uma conferência com doadores no Egito no próximo mês. O Egito anunciou na última terça-feira que uma conferência, copatrocinada pela Noruega, será realizada em 12 de outubro.

O porta-voz da Organização das Nações Unidas (ONU) Stephane Dujarric afirmou que Mustafa e o coordenador humanitário da ONU, James Rawley, publicaram um novo apelo nesta terça-feira pedindo US$ 551 milhões para ajuda emergencial em Gaza, além dos US$ 367 milhões pedidos em 1º de agosto. Fonte: Associated Press.

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