Navio naufraga com 154 a bordo

Embarcação com turistas chocou-se com um iceberg na Antártida; todos os passageiros foram resgatados

Reuters e Ap, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2007 | 00h00

O navio Explorer, que pertencia a uma operadora de turismo do Canadá, naufragou na madrugada de ontem na Antártida com 100 passageiros e 54 tripulantes a bordo depois de se chocar com um iceberg perto da Ilha King George, a cerca de 120 quilômetros ao norte do continente e a 700 quilômetros ao sul de Ushuaia, na Argentina. Todos foram resgatados sem ferimentos.A Marinha chilena disse que recebeu o sinal de emergência do navio às 0h54 (1h54 pelo horário de Brasília). "Estávamos passando pelo gelo, como de costume, mas dessa vez alguma coisa atingiu nosso compartimento de carga, causando um vazamento", disse Peter Svensson, primeiro-oficial do navio. ABANDONAR O NAVIOA agência de turismo GAP Adventures, de Toronto, no Canadá, proprietária da embarcação, confirmou uma colisão com "um bloco de gelo", que deixou "uma rachadura no casco do tamanho de um punho".De acordo com Svensson, a ordem para abandonar o navio foi dada duas horas depois, às 3 horas. Todos os passageiros e tripulantes foram acordados, vestiram os coletes salva-vidas e embarcaram em oito botes e quatro balsas. Apenas o capitão e o primeiro-oficial do navio ficaram a bordo para tentar bombear a água para fora do navio. Quando perceberam que não salvariam a embarcação, os dois também se juntaram aos outros.Segundo tripulantes do Explorer, a retirada das 154 pessoas foi feita com tranqüilidade e calma, já que havia a certeza de que havia navios na região que poderiam rapidamente resgatá-los.A primeira embarcação a chegar foi o Endeavour, um pequeno navio de pesquisa britânico adaptado para viagens de cruzeiros curtos na região. Depois de recolhidos pelo navio - e quatro horas depois de abandonarem o Explorer -, os passageiros foram transferidos para o cruzeiro norueguês Nordnorge, de 600 lugares, que levou todos para a base da Força Aérea chilena na Ilha King George, de onde seguiriam hoje de avião para Punta Arenas, no Chile. O Explorer, que navegava sob bandeira liberiana, foi construído em 1969 e reformado em 1993. Assim como o Endeavour, ele também era um navio projetado para pesquisas científicas que foi adaptado para viagens turísticas.ALTA TEMPORADA O Explorer deixou o porto de Ushuaia no dia 11 e deveria regressar na terça-feira. O navio é um das 52 embarcações que levam turistas para a Antártida entre os meses de outubro e abril. Esse estilo de turismo virou moda nos últimos dois anos, principalmente entre passageiros de alto poder aquisitivo. Pelas duas semanas de passeio no continente, cada passageiro pagou de US$ 8.700 a US$ 16 mil por cabine. A GAP Adventures informou que havia no Explorer passageiros de mais de 20 nacionalidades, a maioria britânicos, holandeses, americanos, australianos e canadenses - não havia relatos sobre a presença de brasileiros. Até o fim da tarde de ontem, navios argentinos, britânicos e americanos ainda tentavam evitar que o Explorer afundasse. A embarcação de mais de 2.600 toneladas e com 185 mil litros de combustível, seguia afundando lentamente.

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