Navio russo a caminho da Síria é barrado na Grã-Bretanha

Embarcação com armamento volta para a Rússia depois de seguradora britânica retirar sua cobertura

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2012 | 03h08

Um navio russo carregando armas para o regime em Damasco retornou para a Rússia, enquanto o Conselho de Segurança debatia a situação na Síria. Outras embarcações de Moscou seguiam para a base do país em Tartus, na costa síria, para levar suprimentos para os militares russos estacionados no local.

Os russos concordaram em redirecionar para a Rússia o navio carregado com helicópteros sírios que passaram por revisão em Moscou. As informações surgiram depois que a companhia de seguros Standard Club, cuja base fica na Grã-Bretanha, anunciou ter retirado a cobertura de seguro do proprietário da embarcação quando soube que ela carregava munições, em uma quebra de suas regras.

A Grã-Bretanha tem agido com os EUA para pressionar a Rússia a parar de fornecer armas ao regime de Assad.

ONU. Em depoimento ao Conselho de Segurança, o secretário-geral assistente para Assuntos políticos da ONU, Oscar Fernandez Taranco, disse ser "urgentemente necessária uma ação unificada para manter uma pressão exigindo o cumprimento dos seis pontos do plano (elaborado pelo ex-secretário-geral Kofi Annan). Caso contrário, estamos nos aproximando do dia em que será muito tarde para impedir a crise de sair de controle".

Mais tarde, o chefe dos observadores das Nações Unidas na Síria, Robert Mood, disse no CS disse que o governo de Assad está cooperando, mas a oposição não. A missão, responsável por verificar a implementação do plano, decidiu suspender as suas operações na Síria por razões de segurança. Mas os monitores ainda permanecem no país.

Apesar de haver um consenso na comunidade internacional sobre a necessidade de frear o conflito na Síria, como ficou claro em encontro anteontem entre os presidentes americano, Barack Obama, e russo, Vladimir Putin, ainda existe uma série de divergências sobre como atingir este objetivo.

Os Estados Unidos não veem um futuro estável na Síria com a permanência de Bashar Assad no poder em Damasco. A Rússia, por sua vez, culpa a oposição por grande parte da violência no país. Em encontro do G-20, ontem, Obama se reuniu com líder chinês, Hu Jintao. Assim como no dia anterior, houve acordo sobre a necessidade de paz na Síria, mas a China adota uma posição mais próxima da de Moscou.

No Conselho de Segurança, mesmo com um discurso a favor do plano de Annan, muitos países consideram a iniciativa fracassada. A França, com o apoio de Washington, de nações do Golfo e de outros países europeus, defende a adoção de uma resolução ameaçando com sanções o regime de Assad caso o cessar-fogo não seja respeitado.

A Rússia e a China são contra e poderiam bloquear a ação por meio do poder de veto. Moscou e Pequim também advertem para a necessidade de pressão sobre os opositores. Grupos de oposição dizem que mais de 14 mil pessoas morreram desde o início do levante na Síria, em março de 2011.

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