Navio some no litoral da França

Caso de pirataria em águas europeias espanta especialistas e mobiliza até a Marinha russa

AFP, AP e Reuters, O Estadao de S.Paulo

13 de agosto de 2009 | 00h00

A Rússia anunciou ontem que mobilizou sua Marinha para ajudar nas buscas de um navio cargueiro que desapareceu da costa francesa após se envolver no que pode ser um caso de pirataria sem precedentes em águas europeias. O último contato com o Arctic Sea - um navio com 15 tripulantes russos e 6.500 toneladas de madeira estimadas em US$ 1,3 milhão - ocorreu há duas semanas, quando passava pelo Estreito de Dover, entre a França e a Grã-Bretanha, que é uma das rotas de navegação mais movimentadas do mundo. Autoridades acreditam que nesse ponto o navio já estaria nas mãos dos piratas.A busca foi lançada depois que o cargueiro não chegou ao seu destino final, no dia 4, como era previsto. Com bandeira de Malta, o barco partiu do porto de Jackobstab, na costa finlandesa, com destino a Beijaia, na Argélia. Moscou afirmou que todos os seus navios no Oceano Atlântico estão participando da operação de busca. Autoridades marítimas internacionais acreditam que o Arctic Sea foi sequestrado na costa da Suécia, pouco depois de deixar a Finlândia. Detalhes do suposto ataque, porém, ainda não estão totalmente claros. O que se sabe com certeza é que, na Finlândia, o transponder do navio - aparelho que transmite um sinal de localização - foi desligado. Isto teria ocorrido no dia 24, quando, segundo a empresa finlandesa que opera a linha, o navio foi abordado por dez homens armados que se passaram por policiais antidrogas. O grupo, porém, teria deixado a embarcação 12 horas depois, em um bote inflável. Informações das autoridades de Malta corroboram a história. "Entre 8 e 12 pessoas armadas e vestindo uniformes em que se lia escrito ?Polícia? embarcaram no Arctic Sea e acusaram os tripulantes de tráfico de drogas", disseram os malteses, que informaram ainda que a tripulação foi espancada, amarrada e vendada - muitos estariam feridos. O governo sueco negou qualquer envolvimento de suas agências de patrulha.Outra informação confirmada é que, seis dias após o suposto sequestro, no dia 30, o Arctic Sea foi visto por um avião da patrulha costeira de Portugal, próximo do litoral francês. No entanto, a localização atual do barco é desconhecida. "Aparentemente, a embarcação não atravessou o Estreito de Gibraltar, o que indica que está em algum lugar do Oceano Atlântico", afirmou, em nota, a Autoridade Marítima de Malta. Enquanto os níveis de pirataria vêm crescendo na costa da África Oriental - especialmente próximo à Somália -, incidentes em águas europeias são extremamente raros. "Ataques contra navios aqui não ocorrem", disse Jeremy Harrison, da Câmara Britânica de Navegação.Autoridades britânicas descreveram o caso como "bizarro". "Quem poderia imaginar que um navio sequestrado por piratas poderia passar por uma das rotas marítimas mais policiadas e movimentadas no mundo?", disse, em entrevista para a rede britânica BBC, Mark Clark, chefe da Agência Marítima e Costeira do país. "O barco não parecia suspeito sob nenhum aspecto quando o contatamos, mas pode ser que o tripulante estivesse com uma arma apontada para sua cabeça."SEGURANÇAEspecialistas acreditam que, se confirmado o sequestro, o objetivo dos piratas tenha sido o de testar o nível de segurança nas águas europeias ou de usar o Arctic Sea como um "navio fantasma", ou seja, alterar seus registros para que ele seja usado, por exemplo, no tráfico de drogas.

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