AP Photo/Giuliano Gomes
AP Photo/Giuliano Gomes

Navios iranianos devem deixar Paranaguá neste fim de semana

De acordo com a autarquia que administra o porto paranaense, os cargueiros Bavand e Termeh zarparão assim que receberem o combustível da Petrobrás; o primeiro seguirá para um porto iraniano e o segundo para Imbituba, em Santa Catarina

Clarice Couto, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2019 | 19h43

Os dois navios com bandeira do Irã que aguardam abastecimento na área do Porto de Paranaguá, no Paraná, devem zarpar neste fim de semana, informou a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), em nota. 

Assim que for abastecido, o cargueiro Bavand, que já está carregado com 48 mil toneladas de milho, seguirá para o Porto de Bandar Imam Khomeini (Irbik), no Irã. Já o Termeh, que está vazio, vai para o Porto de Imbituba, em Santa Catarina.

Segundo a Appa, o Bavand vai receber 1,3 mil toneladas de combustível e o Termeh, 600 toneladas. Apenas uma empresa realiza este serviço para a Petrobrás, com duas barcaças capazes de carregar até 1,45 mil toneladas de combustível. 

"Reiteramos que nenhum dos dois navios iranianos movimentou carga nos portos paranaenses. As embarcações apenas fizeram parada técnica de apoio, para abastecimento, no Porto de Paranaguá", disse a autarquia.

Breve crise

As duas embarcações estão paradas nas proximidades do Porto de Paranaguá desde o início de junho porque a Petrobrás, temendo punições dos Estados Unidos, se recusava a abastecer as embarcações. 

No início de julho, o Tribunal de Justiça do Paraná determinou que a estatal abastecesse as embarcações, mas a Petrobrás recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), destacando que os navios se encontram sob sanção na lista do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos Estados Unidos (Ofac, na sigla em inglês). O abastecimento, por essa razão, implicaria risco de prejuízo comercial, financeiro e até diplomático, conforme argumentou a Transpetro à Suprema Corte.

Na terça-feira, o Irã ameaçou cortar as importações do Brasil, se a Petrobrás não reabastecesse os dois navios. Na noite desta quarta-feira, por fim, o presidente do STF, Dias Toffoli, determinou que a estatal abastecesse os cargueiros ao considerar que as embarcações iranianas estão sob contrato com a empresa brasileira Eleva Química, que não faz parte da lista de agentes sob efeito de sanções dos EUA.

“Com essas razões, julgo improcedente o pedido de suspensão , ficando, por consequência, cassada a decisão liminar , ante a ausência de risco de efeito multiplicador da decisão ora impugnada, bem assim da potencial lesão aos interesses primários relacionados à soberania nacional, à ordem administrativa e à economia em razão da execução da decisão proferida", disse o ministro em sua decisão.

Tudo o que sabemos sobre:
Irã [Ásia]Petrobrás

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.