Suez Canal Authority/Handout via REUTERS
Suez Canal Authority/Handout via REUTERS

Navios presos em Suez desviam para rotas famosas por pirataria

As opções são enfrentar caminho mais longo, caro e arriscado ou aguardar desencalhe do Ever Given e pagar taxas

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2021 | 05h00

CAIRO - Com especialistas prevendo que o Canal de Suez permanecerá bloqueado por mais alguns dias, ou semanas, em meio às dificuldades para desencalhar o meganavio Ever Given, centenas de navios começaram ontem a buscar rotas alternativas. Alguns petroleiros já optaram por viajar pelo extremo sul da África, acrescentando semanas à viagem, por uma região conhecida pela pirataria.

Uma viagem do Canal de Suez, no Egito, a Roterdã, na Holanda – o maior porto da Europa – normalmente leva cerca de 11 dias. Aventurar-se ao sul da África, em torno do Cabo da Boa Esperança, adiciona pelo menos mais 26 dias, segundo a empresa Refinitiv. O desvio também encarece a viagem.

As taxas de combustível adicional custam mais de US$ 30 mil por dia, dependendo do navio, ou mais de US$ 800 mil no total para a viagem mais longa. Mas a outra opção é esperar na entrada do canal que o engarrafamento se dissipe e enfrentar taxas de atraso – que variam de US$ 15 mil a US$ 30 mil por dia.

“É como escolher a fila no supermercado; sempre fazemos a opção errada”, afirmou Alex Booth, diretor de pesquisa da Kpler, uma firma que rastreia o movimento dos navios petroleiros.

Desde terça-feira, o Ever Given, um dos maiores porta-contêineres do mundo, está preso no Canal de Suez, encalhado após fortes ventos.

Pelo menos sete navios-tanque transportando gás natural liquefeito foram desviados ontem. Três deles e quatro petroleiros foram direcionados para a rota mais longa para a Europa, através do Cabo da Boa Esperança. Outros nove navios-tanque deverão ser desviados se o bloqueio continuar no fim de semana, disse um analista da Kpler ao jornal Guardian.

Um desses navios, fretado pela Royal Dutch Shell, foi carregado em Sabine Pass, no Texas, e navegava pelo Atlântico na direção do canal quando mudou o rumo em direção à África. Outra embarcação, operada pela Qatargas, uma estatal do ramo da energia, foi carregada no hub energético do Qatar, Ras Laffan, e rumava para Suez, mas alterou a rota para o Cabo da Boa Esperança antes de chegar ao Mar Vermelho.

Com mais navios sendo desviados para o Cabo da Boa Esperança, a pirataria pode aumentar. Os piratas há muito perseguem os navios que se deslocam nas águas do Chifre da África, e os mares da África Ocidental, rica em petróleo, são agora considerados um dos mais perigosos do mundo para o transporte marítimo.

Nos últimos dois dias, a Marinha dos EUA disse que foi contatada por empresas de navegação de vários países preocupadas com os riscos de pirataria para navios que estão sendo redirecionados, disse um porta-voz da Quinta Frota dos EUA, com base no Bahrein.

“Há um risco aí, e provavelmente é outro motivo pelo qual as companhias marítimas pensarão duas vezes antes de contornar o Chifre da África”, disse Genevieve Giuliano, professora da Escola de Políticas Públicas da Universidade do Sul da Califórnia.

As mais de 200 embarcações presas em Suez enfrentarão mais dores de cabeça. Muitas chegarão aos portos europeus ao mesmo tempo e descobrirão que não terão onde atracar. /NYT e W. Post 

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